O transporte por hidrovias
Quinto maior país do mundo, com 8,5 milhões de quilômetros quadrados de extensão, o Brasil possui um imenso gargalo em sua infraestrutura de transportes. O país tem privilegiado o sistema rodoviário em detrimento da ampliação da malha ferroviária e mais ainda da efetiva utilização da hidrovia em sua rica bacia hidrográfica. Para se ter uma ideia da concentração do transporte de cargas no país, em 2005, 58% das mercadorias passavam pelo modal rodoviário; 25% pelo ferroviário e somente 13% pelo aquaviário.
Conforme aborda reportagem de hoje da FOLHA, o Brasil possui 42 mil quilômetros de cursos de água doce que poderiam ser utilizados como vias navegáveis. No entanto, somente 15 mil quilômetros têm sido aproveitados como meio de transporte em todo o País. De seu lado, o governo federal discursa que está sim planejando a construção de hidrovias e o Plano Nacional de Logística e Transportes (PNLT) traçou uma meta ambiciosa para 2025: apenas 30% das cargas seriam transportadas pelas estradas, o transporte ferroviário aumentaria para 35% e a do aquaviário para 29%. Teriam sido reservados R$ 2 bilhões do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC 2) para as hidrovias. Por ora, as principais obras do setor em andamento se concentram na Região Norte e em São Paulo com a adequação da hidrovia do Rio Tietê (parceria dos governos paulista e federal), mas somente 4% das obras haviam sido realizados.
Estudo de entidades paranaenses aponta a existência de 992 quilômetros nos rios Ivaí, Paranapanema, Tibagi e Paraná com potencial hidroviário. Porém, o plano adormece no papel. O único rio do Estado que dever receber intervenções do governo federal é o Paraná no eixo com os rios Tietê, Piracicaba e Paranaíba. O fato denota a fragilidade da mobilização política paranaense em torno de assunto de vital importância do futuro escoamento da safra de grãos do Estado.
Em que pese o aparente esforço governamental para alavancar o transporte por hidrovias, o aporte financeiro dado ao setor revela o desprezo por essa importante área de escoamento da produção nacional. Dados do Ministério dos Transportes mostram que o setor recebeu ínfimos 0,85% dos investimentos da pasta em 2011 com um total de R$ 127,8 milhões. Este ano o índice é de 0,3%: até agosto foram aplicados R$ 24,3 milhões no setor.
Diante do pouco investimento no setor, parece pouco provável que o Brasil atingirá dentro de 13 anos a meta de dobrar o número de hidrovias. Considerado o modal de transporte mais eficiente economicamente e menos agressivo ao meio ambiente, a hidrovia precisa ser colocada urgentemente na agenda política brasileira.





