O trágico trânsito brasileiro
As mortes provocadas por acidentes de trânsito nas estradas, ruas e
avenidas de todo o Brasil atingiram status de epidemia. Números divulgados na semana passada pelo Ministério da Saúde contabilizam 40.610 vítimas fatais no ano passado, resultado 8% maior do que o registrado em 2009.
As internações hospitalares de vítimas do trânsito subiram 15%, atingindo
cerca de 146 mil em 2010. Conforme o balanço, a escalada de vítimas havia sido interrompida em 2009, primeiro ano completo após a lei seca, quando foi registrada queda inédita na década.
O trágico resultado é amparado em três explicações: provável relaxamento da lei seca, uma vez que a embriaguez é apontada como uma das principais causas de acidente; aumento do número de motocicletas em circulação no País e péssimo estado de conservação das rodovias brasileiras, como apontou pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes divulgada nesta semana.
Não é de hoje que a lei de trânsito é considerada branda. São vários atenuantes e, além disso, os motoristas utilizam-se de brechas para evitar passar pelo teste do bafômetro. Sem a comprovação do teor alcoólico, dificilmente há uma condenação judicial.
Outro fator é a falta de estímulos à utilização do transporte coletivo. Com a melhora da economia e das condições de vida da população, é natural que os consumidores invistam em meios de transporte próprios, ganhando conforto e praticidade. Além disso, há que se considerar que o transporte coletivo não funciona bem na maioria das cidades. Veículos superlotados, tarifas altas e atrasos são problemas recorrentes em todo o País.
Por isso, a única conclusão a que se chega é a necessidade de mais investimentos em campanhas educativas. Somente a conscientização de toda a população, e não somente dos motoristas, sobre a necessidade de cumprimento das leis de trânsito, da utilização de equipamentos obrigatórios de segurança e da importância da sobriedade ao volante é que pode reduzir os trágicos números do trânsito brasileiro.
A punição exemplar dos infratores também deve continuar ocorrendo. A impunidade, tão reinante em várias esferas da sociedade brasileira, serve de combustível para que infrações e crimes continuem acontecendo.





