O trabalho, de pai para filho
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sábado, 10 de maio de 2003
Luka Morais<br>Reportagem Local 
Deivid Rodrigo Ribeiro dos Santos trabalha com o pai desde os 12 anos. Aos 16 anos teve a carteira de trabalho assinada. Com o primeiro salário comprou roupas. Com os demais, iniciou uma poupança que lhe permitiu comprar um carro. Deivid, atualmente com 21 anos, ainda passa o dia todo ao lado do pai, o funileiro Ernande da Silva Santos. Ambos são funcionários de uma empresa de transportes coletivos de Londrina. ''Ele é um ótimo ajudante. Tanto que trabalha comigo aqui na empresa e na oficina em casa'', atesta o pai.
O rapaz, que mora com a família no Conjunto Farid Libos (zona norte), ingressou no mercado de trabalho em março de 1998, nove meses antes de a Emenda Constitucional nº 20, que proíbe a atividade remunerada para menores de 16 anos, entrar em vigor. Ele, que já ajudava na oficina do pai, não teve dúvidas ao ser convidado a trabalhar. ''Eu trabalhava de dia, e estudava à noite. Foi a melhor coisa que fiz na vida'', comenta o jovem que concluiu o 2º grau, fez cursos na área gráfica e de computação e pretende cursar uma faculdade.
Seo Ernande, 42 anos, aprendeu o ofício no período em que serviu o Exército. Ele acha que todo jovem deve passar pela experiência do serviço militar e ter uma atividade profissionalizante. ''Eu fui educado assim e quis que meu filho também seguisse esse caminho. Tem de estudar e trabalhar'', diz o funileiro, que faz pintura, colocação de pára-brisas e modelagem de fibra. Trabalhando há sete anos na garagem da TIL - Transportes Coletivos Ltda., seo Ernande pôde ensinar o filho. ''A gente corrige, se há algum problema. Nunca brigamos'', comenta. ''A gente brinca muito'', emenda Deivid.
O funileiro conta que o filho caçula, de 14 anos, estuda e pratica esportes. Mas se a legislação permitisse, também estaria junto dele, aprendendo uma profissão. ''Ou a pessoa estuda para ser doutor ou segue um caminho como esse que é braçal, mas que tem bom mercado.'' Deivid completa: ''Somos procurados pelos clientes.''
O pai, que tem um rendimento mensal em torno de R$ 900,00, acaba de comprar um Chevette ano 79. O filho, que ganha quase a metade do salário do pai, tem um carro mais novo, ano 83. ''Nós pintamos os carros e equipamos. O Chevette do Deivid custou R$ 1.800,00 e já ofereceram R$ 3.500,00'', comenta seo Ernande.
O funileiro se preocupa com rapazes que não tiveram a mesma oportunidade que seu filho. Deivid, diz que pretende repassar tudo o que aprendeu aos filhos. ''Trabalho não faz mal a ninguém. Ao contrário, a gente tem mais disposição, se sente vitorioso e é mais feliz'', assegura a dupla, enquanto trabalha na pintura de um ônibus.


