O terror do sistema financeiro
Se for possível fugir dos bancos, tanto melhor, porque mesmo o correntista que não faz empréstimo e não utiliza cheque especial paga uma infinidade de taxas, lançadas em sua conta e que a maioria nem percebe. Ontem, na página de orientação ao consumidor, deste Jornal, Vinicius Zwarg, da Fundação Procon de São Paulo, adverte que essas taxas são embutidas na conta corrente do cliente e identificadas com abreviações que só um funcionário do banco sabe interpretar. Para tudo se paga, e nada no banco é gentileza, nem mesmo a água servida e eventualmente o cafezinho, porque no geral tudo acaba entrando na conta do correntista. As taxas são todas de baixo valor e por isso passam despercebidas, e desse desleixo se valem os bancos, pois conhecem sua clientela e sabem quem são os atentos e os relapsos estes a maioria. Se o correntista reclama, pode ter a taxa anulada, em alguns casos. Antigamente esses ditos serviços não eram cobrados, mas o Conselho Monetário Nacional, pela resolução 2.303/96, autorizou a cobrança, e a partir daí a bocarra dos bancos abriu-se escancarada e foi engolindo essas pequenas quantias, de todos os clientes. Imagina-se a volumosa soma arrecadada! A recomendação de Zwarg para se fazer pesquisa entre vários bancos, antes de abertura de uma conta, não resultará em grande vantagem, pois todos eles cobram. O ideal seria não ter envolvimento com banco, mas hoje a própria aposentadoria é lançada em conta bancária, e quase tudo é pago por carnês, pelo mesmo sistema. Na verdade os cidadãos foram convertidos em escravos desse processo, e no Brasil tudo é fiscalizado contra os comuns dos mortais mas o sistema financeiro corre livre. Ele próprio constitui um governo à parte, pois põe e impõe, soberano, executa o cliente e o submete à execração pública em caso de inadimplência. O agente do Procon-SP diz que existe uma série de regras que os bancos insistem em não seguir, e uma delas é não avisar previamente o cliente sobre a cobrança dessas taxas, e isto é uma forma de golpe, nada diferente das práticas de roubos comuns que recheiam o noticiário. Tudo isso, naturalmente, cercando a fonte maior do lucro que é o exorbitante juro, capaz de levar um devedor à falência mas que faz a festa dos bancos, das administradoras de cartões de crédito e das financiadoras no geral, aí incluídas aquelas que dão cobertura às vendas a prazo do comércio. Este perverso sistema de manipulação do dinheiro é o monstro que atemoriza o Brasil e capaz de causar tanto dano quanto as guerras, o terrorismo e os furacões frequentes em alguns países do mundo.





