O tempo integral para ensino fundamental
O tempo integral para o ensino fundamental tem sido defendido como solução para um melhor aprendizado, mas também recebe críticas. Para certas famílias é uma forma de entregar o filho ao cuidado da escola enquanto os pais trabalham, mas isto também o afasta do convívio do lar. Entre os pontos contrários levantados estão os de como preencher com adequada pedagogia esse tempo extra, a elevação em 70% do custo da rede de ensino e a necessidade de mais espaço físico nas escolas.
A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal acaba de aprovar emenda à Constituição obrigando as escolas brasileiras a oferecerem jornadas em tempo integral para os alunos do ensino fundamental da rede pública, e agora a proposição vai ao plenário para ser discutida em dois turnos. Mesmo quem defende a ideia propõe que seja aprofundado o debate a respeito, pela complexidade da questão. Sob o aspecto técnico, a ampliação das escolas e o aumento do gasto são dois fatores que precisam ser levados em conta.
Entre as vantagens e desvantagens desponta por um lado a conveniência de manter as crianças no ambiente escolar o dia todo, evitando que as mais propensas caiam na promiscuidade das ruas enquanto ociosas. Por outro lado, a desvantagem é afastá-las por mais tempo do seio familiar, isto somando-se a um dos males sociais da época que é a excessiva exposição delas à internet e à televisão, sem muito diálogo com os da casa. Se o tempo integral libera o aluno desse vício até certo ponto (porque também na escola o computador está presente, embora monitorado), desgarrá-lo o dia inteiro da família é prejudicial. Se o tempo integral estimula a conveniência em ambiente coletivo - que é como o adulto irá conviver na maior parte de sua vida - a base familiar é fundamental e a escola não a substitui. Esta não pode se converter numa tediosa prisão para as crianças se for apenas para mantê-las seguras e não houver recreação e outras ocupações educativas - e o requisito para isto é aumentar o quadro de pessoal especializado e adotar políticas pedagógicas que as mantenham interessadas.
Argumenta-se que em países europeus o volume anual de aulas é de 1.400 a 1.600 horas, enquanto no Brasil é de 800. Este é um detalhe irrelevante, importando saber que tipo de indivíduo a escola irá produzir. Certamente que a cultura do bom ensino, da paz e do humanismo é primordial, e não é o menor ou maior tempo de permanência na escola que desenvolverá esses atributos. O que se ensina é muito mais significativo do que a medida de horas que se impõe ao estudante. Esta tem de ser a preocupação maior dos pedagogos.





