Dentre as mudanças que vêm ocorrendo nas relações humanas sob a perspectiva do mundo globalizado, uma que está em evidencia é a relação no trabalho. Valores outrora hipervalorizados como pré-requisito para acesso a cargos começaram a serem revisados e a perder ponto para as novas exigências à ascensão ou manutenção a um cargo na carreira executiva.
A conduta ética, que antes não era nem cogitada na análise de um currículo, passa a ser um elemento de alta relevância na escolha de novos candidatos a um posto de trabalho. Assim o que se vê é o resgate, na área de recursos humanos, da ética profissional que por muito tempo esteve ausente das preocupações dos formadores de novos profissionais para o mercado de trabalho.
Por ética entende-se a parte da Filosofia que estuda os valores morais. E para que haja conduta ética é necessário que o profissional tenha consciência de sua própria existência enquanto ser que pensa e age e que tenha pleno conhecimento das diferenças entre os opostos, ou seja, entre o que seja o bem e o que seja o mal; entre o errado e o certo, entre o que é permitido e o que é proibido e, principalmente, que tenha de forma clara, o conhecimento do que é virtude e o que é vício. Dessa forma, a consciência e a responsabilidade são as condições indispensáveis na vida ética.
Para que haja conduta ética é necessário que o coletivo sobreponha-se ao individualismo. A defesa, com amor e dedicação, dos interesses da coletividade ou da organização em que se trabalha, deve estar acima dos interesses próprios. Pois ao defender seu próprio interesse, o profissional, seja na iniciativa privada ou na pública, está criando oportunidades para a prática da corrupção, dos desvios de verbas e tantas outras práticas fraudulentas que estamos acostumados a ver.
De forma individualizada em assuntos da área de administração, recursos humanos, qualidade e motivação, deparamos constantemente com os valores morais do qual a ética se preocupa e que são a base para a construção do profissional do futuro. Ser leal à filosofia e aos interesses da organização a qual pertence, não na forma de submissão e sim na liberdade de poder contribuir com o trabalho e a crítica construtiva na hora certa e da forma correta, ou seja, ‘‘vestir a camisa da empresa’’; ser honesto na forma de conduzir o negócio e em tudo aquilo que faz, com certeza gera a confiança mútua que é a base de qualquer relacionamento; respeitar e guardar os segredos dos diretores e da própria organização a que pertence, pois segredos industriais, marketing, produção, bancos e corporativos somente são mantidos através do absoluto sigilo de todos os envolvidos no processo.
A vitória é conquistada aos poucos. Por isso a exigência da determinação, perseverança, otimismo e principalmente coragem no arriscar diante das dificuldades e armadilhas que são impostas pela abertura de mercado. Um toque de compreensão, amor e dedicação completam o perfil do novo profissional, pois as empresas não mais procuram empregados que simplesmente cumpram seu horário de trabalho ou as tarefas pré-determinadas, mas que sejam parceiros em busca de um único objetivo que é o resultado e sobrevivência da organização como um todo.
- LUIZ ANTONIO PEDRO é professor universitário, filósofo e historiador em Maringá
e-mail: [email protected]

mockup