O tempo avança nas estações, sem que o consenso floresça
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sábado, 16 de fevereiro de 2002
Luciano Augusto Reportagem Local 
A paralisação nas universidades estaduais em Londrina (UEL), Maringá (UEM) e Cascavel (Unioeste), que começou dias antes do início da Primavera, em 17 de setembro do ano passado, está atravessando o Verão e tem tudo para chegar ao outono. São 154 dias marcados por reuniões, assembléias, protestos, ações judiciais e desgaste.
Os servidores exigem reposição salarial de 50,03% e a revisão do plano de cargos, carreiras e salários. As administrações das instituições envolvidas estão na incômoda posição de terem que aceitar as reivindicações dos professores e funcionários, há seis anos sem reajuste, ao mesmo tempo em que devem entender a posição do Estado e as cobranças da comunidade. O governo justifica ser impossível conceder reposição salarial, pois a folha de pagamento estadual já estaria no limite do comprometimento estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
A primeira vítima fatal da greve surgiu pouco mais de um mês após o início da paralisação. José Antonio Bernardes, de 44 anos, buscou atendimento em dois hospitais de Londrina, encontrou os prontos-socorros fechados inclusive o do Hospital Universitário (HU) e morreu de parada cardíaca.
Em novembro, a Procuradoria Regional da República de Londrina ajuizou ação contra o governo do Estado do Paraná, a UEL e Associação dos Servidores Técnico-administrativos da UEL (Assuel). O Ministério Público (MP) exigia o fim da greve. O governo argumentou que a greve era política e obteve uma liminar determinando o seu encerramento e estipulando multa diária de R$ 1,5 mil aumentada depois para R$ 15 mil para as entidades sindicais que formam o comando estadual grevista. Estudantes também conseguiram na Justiça o direito de antecipar a formatura.
Neste ano, o MP conseguiu a reabertura do pronto-socorro do HU e do Hospital de Clínicas (HC) da UEL e cobrou também as responsabilidades da administração da Universidade. A Justiça Federal também concedeu liminar contra os grevistas, determinando o retorno ao trabalho de 75% dos servidores da UEL e mais multas. Para cumprir a decisão judicial, o reitor da UEL, Pedro Gordan, baixou atos administrativos convocando os servidores sem consultar o Conselho Universitário.
Nesta terça-feira, o governo ingressa com o projeto de lei sobre automonia na Assembléia Legislativa. Os grevistas prometem protestar em Curitiba, exigindo a reposição. No mesmo dia, o reitor da UEL se reúne com os conselheiros, para discutir sobre o cumprimento das ordens judiciais e sobre as comissões processantes criadas para apurar irregularidades na gestão do ex-reitor Jackson Proença Testa.


