Sondagem interna do partido atesta: nas grandes cidades, onde a população é mais esclarecida, o PT perde sustentação para as eleições municipais de outubro. E isso está deixando preocupada a comunidade petista, presidente Lula incluído. Porque o resultado desse pleito poderá influir decisivamente na reeleição presidencial, embora ainda distante. Os bons ventos indicam para vitórias nos minúsculos lugares, de população abaixo de 20 mil e dependente do repasse do Fundo de Participação dos Municípios, das aposentadorias e das cestas básicas, e que por receio e tradição não vota ''contra o governo'', como é comum ouvir-se nessas comunas. A cientista política Lúcia Hipólito afirma que, se o PT fincar sua bandeira nesses núcleos, Lula poderá reeleger-se, embora no âmbito nacional PMDB e PFL irão fazer mais votos e mais prefeitos. A razão da queda de preferência nas cidades maiores a avaliar-se o momento presente é a frustração com o primeiro ano e meio de Governo Lula e com as administrações sofríveis do PT nos municípios que o partido comanda.
O presidente nacional da agremiação, José Genoino, comete a falha técnica de afirmar, como justificativa para a baixa densidade preferencial nos grandes aglomerados, que ''as notícias sobre o governo federal chegam mais rápido nas maiores cidades'', significando, então, que tais notícias não são agradáveis... Já nos grotões, a concluir-se dessa observação, o povo não sabe avaliar o governo e se atém apenas aos benefícios que recebe, aqueles acima citados. Deduz-se que votar no PT é coisa dos menos esclarecidos, que não votam a partir de avaliações sobre a contribuição governamental para grandes reformas e projetos de desenvolvimento, mas segundo pequenos atendimentos pessoais o velho e atrasado sistema de fazer política no Brasil.
Certo é que o eleitor mais politizado parece não desejar mais dar chance a partidos e a governantes que prometem e não cumprem e se revelam despreparados. Se não servem, há que haver rotatividade, porque no Brasil já não se permite experimentos na administração pública e nem a concessão de uma segunda oportunidade a administradores incompetentes. Os contingentes mais politizados também repudiam políticos aventureiros, que se apresentem com a presunção de gerir os negócios públicos e a vida dos cidadãos. Daí porque se defende uma mudança na legislação, de forma a que a Justiça Eleitoral vete candidato sem comprovada honradez, sem preparo e que não tenha adquirido maestria em escola de formação política.

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