O sublime sentido da Semana Santa
Os cristãos de todo o mundo rememoram hoje a Paixão e Morte de Jesus e preparam-se para celebrar a Páscoa, que para os hebreus simboliza o êxodo dos israelitas do Egito a saga da escravidão para a liberdade e para os cristãos a passagem de Jesus para a ascensão a simbologia mística da morte para a vida, da treva para a luz. É o maior evento da fé judaica e a maior festa da cristandade. A Semana Santa, que culmina com o Domingo da Páscoa, é um período de recolhimento e de devoção, um culto ao Mestre que morreu pela causa da elevação espiritual da humanidade e cujos ensinamentos, se não são plenamente seguidos, ecoam até os nossos dias por todos os cantos da Terra, mesmo entre os povos que não seguem as religiões cristãs. Os símbolos desta solene semana são a cruz, que traduz o sofrimento e a ressurreição; o cordeiro, significando Jesus, o Cordeiro de Deus; o pão e o vinho na Santa Ceia, representando o corpo e o sangue de Jesus Cristo; e o círio, a grande vela que se acende na Aleluia a luz dos povos e na qual estão inscritos o alfa e o ômega, a simbologia de Deus princípio e fim de todas as coisas. Por alguns dias, nesta passagem da Semana Santa e nas celebrações da Páscoa, há uma cessação de hostilidades no mundo e as pessoas refugiam-se em suas reflexões e cultuam sentimentos de paz, que lhe são inerentes mas encontram dificuldade para repetir-se todos os dias. Estreita-se assim a passagem da escravidão para a liberdade, e a luz ainda tênue não é suficiente para dissipar a treva ainda imperante no coração dos homens. O significado do círio, a luz na Terra, é o apelo à coexistência pacífica da humanidade, e foi isso que Jesus veio ensinar aos povos em seu ministério terreno. Por essa causa foi condenado e sacrificado na cruz. Que esse doloroso episódio, que os cristãos relembram hoje em cultos e muitas outras manifestações de reverência e devotamento, não tenha sido vão. É o que a humanidade anseia, embora confusa e atribulada, porque não cultivou o ensinamento primordial do Mestre, o de que as pessoas deveriam amar-se umas às outras. A travessia da treva para a luz, simbolizada na ascensão de Jesus, tem também o significado da subida do homem para degraus mais altos de sua evolução espiritual. A epopéia da vida, paixão, morte e ressurreição do Mestre, que desceu para o seu divino sacrifício, são eventos de profundo sentido e aconteceram para a reflexão dos homens. Em meio às inevitáveis labutas diárias, estes três dias finais da Semana Santa devem ser reservados também para momentos de meditação e para a formulação de votos de paz, solidariedade e elevação espiritual. E assim se exaltará o homenageado destes dias especiais, não apenas com louvores mas com a aplicação dos seus ensinamentos.





