Morar em cidades pequenas e calmas; dormir com janelas abertas, andar à noite pelas ruas sem medo de quem se aproxime. O sonho de desfrutar a vida em uma cidade pacata durou até que governos populistas assumiram o poder em vários Estados e municípios. No Paraná não foi diferente. Não existe mais cidade calma. Não é mais possível imaginar portões sem cadeado ou muros sem cerca elétrica.
  Sabe por quê? Porque o tráfico - que vem agindo à vontade - pode, a qualquer momento, transformar essas cidades em palco de tiroteios. Até mesmo em um lugar pequeno, de gente trabalhadora, como Florestópolis. Ninguém o impede porque não há polícia suficiente. Governos populistas não aumentam o efetivo policial porque acham que isto é antipático. E combater o tráfico na origem, então, nem se fala. Basta observar o governo federal: alguém sabe de alguma ação contra o tráfico? Discurso de campanha não vale.
  Por tudo isso, foi fácil para a bandidagem descer morros cariocas ou as favelas paulistas para ‘‘ocupar’’ o interior. No Paraná as porteiras estão escancaradas. E não adianta criticar a polícia, afinal prover o Estado de segurança é função do governo. Do governador, para ser mais direto. Isto não foi feito nos dois últimos governos, ambos mantidos em prolongado conforto pelas benesses da reeleição, somando, portanto, 16 anos de atraso na área de segurança pública. Não muito diferente do que aconteceu com a Saúde e a Educação.
  Quem discorda e acha que temos segurança que vá partilhar da dor da família do menino Bruno Liduíno, de 11 anos, a mais recente vítima de bala perdida durante brigas entre grupos rivais. É revoltante ouvir de políticos uma frase que denuncia toda inércia dessa gente que só quer se beneficiar, sempre. A frase é esta: ‘‘Pois é, o tráfico, isso aí não tem jeito não’’. Nada tem sem vontade política. Sem educar o povo. Mas educação é projeto para logo prazo. No momento, a ação tem que ser preventiva e repressiva, para aliviar um povo amedrontado e ameaçado.

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