O governo do Paraná manifestou mais uma vez interesse em privatizar as suas universidades. O que o Estado quer é livrar-se da pesada carga orçamentária (em contínua expansão) que essas unidades representam. Entretanto, parcela politicamente ativa das quatro comunidades universitárias manifesta ferrenha oposição à idéia governamental.
Quando atitudes estão em diamétrica, temos correlações significantemente negativas, que resultam em objetividades inoperantes. A privatização elimina a gratuidade, mas não é nenhuma garantia de eficiência nos serviços que a sociedade espera e necessita das universidades. O governo e as comunidades sabem disso. Logo, o que está sendo buscado é uma subjetividade operante, ou uma forma de resolver disputas entre partes, através de uma comunicabilidade um tanto primitiva, associada com uma incrível soma de egos subjetivos, não Kierkegaardiano, Lasswelliano ou Kohutiano.
A adoção minimética pelo Estado de racionalidade econômica de alhures em nosso ensino superior pode abalá-lo e atrasá-lo ainda mais. Quer por autoritarismo anacrônico quer por pragmatismo extemporâneo, o interesse governamental de abandonar o sustento das universidades, porque estas são ‘‘ineficientes e perdulárias’’, não se hasteia em normas de racionalidade educacional contemporânea.
É sabido que as universidades não são eficientes ou eficazes, mesmo na maioria dos países desenvolvidos. Historicamente, elas são anarquias mais ou menos organizadas. Elas sempre serviram às necessidades sociais, sendo exatamente assim. Precisam de controle interno sobre seus programas (o que a privatização eliminaria) e da flexibilidade para satisfazer as necessidades cambiantes da sociedade, à sua maneira.
Sem dúvida, as universidades deveriam ser mais atentas às necessidades da indústria e do comércio locais e regionais, mas sem sacrificar suas liberdades tradicionais. Entre elas, a de ser peripatética, de agir independentemente, a de aprender, a de ensinar, ou fracassar, e até a de ignorar o ‘‘mundo real’’. Sem essas liberdades, a universidade não é. Será outra iniciativa empresarial de consequências sociais duvidosas. Como a história nos ensina, o desenvolvimento do homem não se assenta apenas no mais ganho e no mais posse. A criatividade que deslumbra e os avanços que permanecem precisam que uma parcela da sociedade tenha outras orientações mentais que a obsessão pela eficiência econômica e pelas vantagens imediatas.
Vivemos um momento histórico, em que o Brasil está temporariamente obcecado pelos valores materiais. Outros países já estiveram nessa fase de interesses e necessidades sem freios por dinheiro, poder e posses materiais. Felizmente, alguns conseguiram suplantar parcialmente esse interesse infantil. Podemos aprender com seus erros! Substanciais avanços da humanidade são oriundos de uma força non-racional e non-econômica, que atua nas mentes objetivamente vadias. O que é preciso é educar, disciplinar e formar o homem para ser suficientemente hábil e consistente na perseguição de seus próprios ideais. Isto é o que a universidade tem sido capaz de fazer, com todas suas ineficiências. Por isso, a sociedade produtiva avança, não talvez com a aceleração desejável, mas no ritmo a que todos nos acostumamos.
O Estado tem obrigação constitucional de proteger a tradição acadêmica. É um manancial indispensável ao avanço da sociedade, que são os próprios objetivos do Estado. A privatização da universidade põe em risco esse manancial.

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