O silêncio como aliado
Crianças brincam em algumas ruas e adultos conversam nos portões. A vida parece normal nas duas comunidades que vivem, nestes últimos dias, um clima de guerra provocado por traficantes. Na manhã de ontem, elas testemunharam mais uma batalha dos criminosos, que desafiam o Estado não somente vendendo drogas, mas também promovendo tiroteios à luz do dia. A quarta, a quinta e a sexta-feira desta semana, com certeza, não foram dias normais para os moradores do Jardim Nossa Senhora da Paz e do bairro Pantanal, localizados na Zona Oeste de Londrina, pois tiros atravessaram os ares e por sorte não atingiram vidas.
Também porque os meios de comunicação visitaram mais a localidade e a polícia esteve mais presente. Numa situação de normalidade, isso seria bom para essas comunidades, que poderiam falar aos jornalistas sobre seus bairros e exigir das autoridades mais segurança. Esse não é o caso. Ali, a lei do silêncio prevalece. Ninguém se arrisca a dar atenção aos repórteres e a polícia tem que ser tratada como inimiga. Infelizmente, os moradores do Jardim Nossa Senhora da Paz e do Pantanal querem viver imunes às provocações do tráfico. E agem como se nada acontecesse, minutos após balas zunirem sobre suas cabeças. Só a ação eficaz do Estado poderá fazê-los mudar de postura. Sem garantias, ninguém quer ser herói.
Walter Ogama





