O silêncio assustador de 11 de setembro
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de agosto de 2003
Reportagem Local 
''Se fosse convocado para lutar pelos EUA aceitaria sem pensar duas vezes''. A frase do sitiante Romualdo Lopes Figueiredo dá a dimensão de como os emigrantes se tornam gratos pela sua ascensão material na terra estrangeira.
Ele lembra com riqueza de detalhes o 11 de setembro de 2001, data em que ocorreu o ataque ao World Trade Center, atentado terrorista que mudou a relação dos Estados Unidos com o resto do mundo, ocorrido há cerca de 40 quilômetros de sua casa.
''Estava em uma obra bem distante de casa, montando um telhado. Percebi um silêncio esquisito. Lá em Newark, o aeroporto é enorme e o tráfego aéreo é assustador. O barulho dos aviões não pára nunca. Vi que o espaço aéreo estava vazio. Desci, fui até o carro, liguei o rádio e fiquei sabendo do primeiro ataque. Quando ouvi que a segunda torre havia sido atingida, ficou claro para mim que era um ataque terrorista. Fiquei apavorado e revoltado ao mesmo tempo. Foi quando o silêncio acabou. Vieram caças de todos os lados. Fiquei em pânico e saí. Só pensava na minha filha e na minha mulher. Na auto-estrada, vi aquela nuvem de poeira subindo''.
A sensação de se considerar uma vítima do atentado a ponto de provocar um ''patriotismo'' eventual não foi suficiente para segurar Figueiredo longe de sua terra natal. Três meses depois, sem que o atentado tenha a ver com isso, o ex-lavrador voltou convencido que aquela era a hora certa. ''Queria desfrutar do que havia conquistado. Meu lugar é aqui''.
(L.F.M.)


