Em todos os municípios brasileiros já paira no ar o clima das eleições municipais. Em muitos casos, conta-se com mudanças tanto em nível do Executivo quanto da composição dos futuros componentes das Câmaras de Vereadores. Em outros, é quase certa a recondução de prefeitos e vários dos edis aos respectivos cargos. De todo modo, a cada eleição há sempre um reacender de esperanças no eleitorado, que hoje no Brasil vai se tornando mais atento e cuidadoso em suas escolhas.
De fato, é fundamental que cada vez mais pessoas em nosso País adquiram a percepção da importância de uma eleição, a qual não pode ser confundida com a aposta que se faz em jogos ou com a festa que alegra os comícios. Afinal, através do voto, este instrumento democrático, eleitores delegam poder a alguém para que este decida por todos. E nisto reside a importância de votar bem, pois estamos entregando a determinados candidatos o poder para que eles decidam por nós sobre questões que afetam profundamente nossas vidas.
Mas o que é votar bem? É buscar a identificação com o candidato que apresente no seu passado um histórico de realizações positivas e, para o futuro, um programa de ações de acordo com as necessidades sociais. Assim, determinado político se tornará digno de minha confiança porque seu agir realmente estará afinado com os interesses da comunidade a qual servirá durante seu mandato.
Em épocas de eleição há também uma grande efervescência no sentido de busca de apoios, de contatos, de acordos. E isso acontece não só nos meios de maior relevância social como entre os mais humildes, ao mesmo tempo em que envolve indivíduos ou organizações de diversos tipos.
Sobre organizações ou entidades, cujos participantes estão agregados em torno de objetivos profissionais, mas que como cidadãos livres possuem suas respectivas opiniões políticas, seria importante tecer algumas breves considerações. Isso porque, a Sociedade Rural do Paraná, entidade que tenho a honra de presidir pela segunda vez, sempre possuiu uma maneira bastante peculiar de se posicionar em termos políticos e, sem dúvida, numa época eleitoral, creio que seria interessante trazer a público nossa postura como contribuição a um debate em torno da cidadania.
De forma sintética, posso dizer que entre dirigentes e sócios da nossa entidade sempre houve consenso de que é necessária uma política para a Sociedade Rural do Paraná e não uma Sociedade Rural do Paraná para a política.
Isso significa em última instância, que exercemos uma política voltada para os interesses dos produtores rurais, e feita com total independência em relação ao Poder tanto em nível federal, estadual quanto municipal. E justamente essa característica faz com que nos sintamos à vontade para aplaudir os governantes quando estes trabalham em benefício da Nação e, além disso, apóiam nossa classe possibilitando a realização de nossas justas aspirações.
Evidentemente, o amparo que nós é dado da parte dos que governam, quer dizer que estes compreenderam a fundamental importância do nosso setor para o sustento da população, e para os rumos da economia em termos de nossa contribuição feita através da geração de renda e de emprego para milhões de brasileiros por intermédio do agronegócio.
Do mesmo modo, estaremos ao lado do governo quando este propiciar a execução da lei, promovendo assim a justiça para os que realmente trabalham e produzem como proprietários rurais, e que se vêem muitas vezes esbulhados por movimentos que, em nome de uma reforma agrária equivocada levam a intranquilidade ao campo, tentando assim alcançar através da violência objetivos políticos ultrapassados e não sociais. O respeito a lei sempre foi uma de nossas características e, desse modo, nada mais queremos do governo senão o cumprimento da lei, conforme é de sua obrigação.
Entretanto, somos tão livres para fazer o elogio merecido quanto para tecer a crítica oportuna e construtiva. E este comportamento sempre marcou a trajetória da Sociedade Rural do Paraná como sinal de sua independência política.
Outro aspecto a destacar em nossa entidade é o respeito pelas escolhas individuais dos sócios. Cada um, naturalmente, tem sua preferência numa eleição por determinado candidato, é simpatizante ou pertence a um partido político, possui ou não uma ideologia. Estas são questões individuais de consciência, não dizendo respeito a Sociedade Rural do Paraná que, como entidade, tem o dever de desenvolver uma política voltada para os interesses e necessidades de todos os seus sócios, independentemente de suas respectivas posições partidárias.
Ao mesmo tempo não se pode negar que numa eleição as preferências políticas de todos os proprietários rurais do Paraná se inclinam de forma natural para aqueles candidatos que se identificam com nossa classe, através da coerência política demonstrada no passado ou projetada para o futuro. É assim que escolhemos ou devemos escolher nossos candidatos.
Finalmente, quero relembrar a importância mais alta da política, através do pensamento de Afonso Arinos de Mello Franco que afirmou: ‘‘Todos nós fazemos política na nossa própria existência. A política é uma atividade inerente ao homem, imerso que está nos problemas sociais.’’
Portanto, na Sociedade Rural do Paraná, todos nós fazemos política em busca da grandeza do Brasil e da merecida prosperidade dos proprietários rurais. Mas sempre faremos política com a liberdade e a independência que sempre nos caracterizaram ao longo do tempo. E é assim que estaremos posicionados nestas eleições municipais de 2000.
- FRANCISCO LUIZ PRANDO GALLI é presidente da Sociedade Rural do Paraná

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