Ainda hoje as pessoas se perguntam se é possível viver um casamento perfeito, uma relação só de qualidades, com muita harmonia, muito prazer e muita realização. Será que o ser humano é capaz de manter uma união saudável?
Acredito que sim. O segredo está em manter o equilíbrio entre os pólos opostos, o yin e o yang, o dar e o receber, o falar e o ouvir, aceitando a própria personalidade e a do seu parceiro, o que obvia-mente implica na habilidade em lidar com os defeitos de cada um.
O casamento saudável é o que se apóia na verdade, é o que consegue superar dificuldades com companheirismo, muita conversa, respeito e amor.
O mundo está cheio de casais inseguros porque fingem e mentem. São pessoas que fazem coisas que não querem e nas quais não acreditam só para não aborrecer o companheiro. Assumem durante um bom tempo de convivência um jeito de ser que não é o seu, ou seja, a pessoa sufoca a sua personalidade e se anula para se tornar o que o companheiro espera.
Já o casal saudável, feliz, é o que assume os seus altos e baixos, tem suas brigas e seus períodos de intolerância e irritabilidade. Quando um está em crise, essa é respeitada pelo outro, que espera o momento certo para se aproximar. Por isso mesmo, essa dupla também apresenta uma capacidade incrível de fazer reparos, enfrentar problemas e manter um alto grau de admiração e respeito pela individualidade de cada um. São pessoas que aplaudem o crescimento de seus pares. O sucesso alheio não traz ameaça. Ao contrário, só faz ampliar o desejo. A sexualidade, por causa disso, é viva e vigorosa. Existe transparência, cumplicidade e franqueza na relação. Esse é o modelo que tem tudo para dar certo.
Homens e mulheres com esse perfil conseguem reconhecer quando a relação precisa de um estímulo e quando há necessidade de tirar férias conjugais. Não se culpam nem conversam em tom de ameaça. Dividem responsabilidades e fazem planos juntos. Respeitam-se porque têm boa auto-estima. Esse grau de parceria só traz crescimento para os dois.
A sexualidade mostra períodos de maior vibração intercalados com outros de menor interesse sexual, mas o que importa é a qualidade do relacionamento. Não existe preocupação com o grau de satisfação, muito menos com o desempenho. O nível de sintonia e entendimento nesses casais, facilita orgasmos intensos e o grau de descontração e bem estar estimula o desejo, independente do tempo que vivem juntos. Isso também faz parte do equilíbrio na vida a dois.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo

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