No final do ano passado, a consultoria IDados fez um levantamento com base nos números do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes). De acordo com o estudo, 52% dos estudantes brasileiros que realizaram o exame concordam com a frase “leio apenas para obter a informação que preciso”. Na prova de Leitura, os alunos obtiveram nota média de 402. Já os alunos que concordam com “ler é meu hobby favorito” tiveram um resultado superior: 429. Entre os estudantes que afirmaram que “ler é uma perda de tempo” a nota média foi de 358.

Os dados avaliados eram referentes ao Pisa 2018. O desempenho do Brasil vem se mantendo ruim, ao longo dos anos, nas três áreas avaliadas (leitura, matemática e ciências).

O hábito da leitura poderia ajudar nossos estudantes a melhorar seu desempenho na escola e universidade e também prepará-los para a vida profissional.

A leitura é uma prática que ajuda a desenvolver a imaginação e contribui para a capacidade de interpretar os acontecimentos. Faz bem para a memória, para o raciocínio, ajuda na argumentação e na formação de uma análise crítica dos fatos.

No último fim de semana (4 e 5) a FOLHA entrevistou o presidente da CBL (Câmara Brasileira do Livro), Vitor Tavares. Ele analisou o mercado de livros nestes tempos de Covid-19.

Em 2019, o mercado editoral brasileiro fechou 2019 com saldo positivo e alcançou um faturamento total de R$ 5,67 bilhões, 10,7% a mais que em 2018.

Foram produzidos no ano passado 395 milhões de exemplares e editados mais de 50 mil títulos, dos quais 13,6 mil correspondem a novos trabalhos.

Pesquisa da empresa Nielsen em parceria com o Sindicato Nacional dos Editores de Livros mostra que, no período de 18 de maio a 14 de junho, o setor livreiro teve faturamento de R$ 109 milhões. Os efeitos da pandemia da Covid-19, no entanto, ainda são notórios. Na comparação com o mesmo período do ano passado, houve uma queda de 3,16% no valor total das vendas.

Para o presidente da CBL, a quarentena e o isolamento social obrigatórios nos últimos meses fizeram com que as pessoas procurassem mais os livros, embora o aumento do interesse não tenha se revertido em vendas muito também porque as lojas físicas permaneceram fechadas por várias semanas.

Para Tavares, o livro está sendo um grande “amigo” neste período de pandemia. Muita gente buscou nas publicações respostas para suas indagações, tanto que estão sendo vendidos mais livros sobre qualidade de vida, psicologia, questões raciais e empoderamento feminino, informou o presidente da CBL.

Corretamente, ele cobrou políticas públicas que incentivem as crianças e jovens a desenvolverem o hábito da leitura.

Hoje, celebridades estão vindo à público dizer como a leitura influenciou a vida delas. O bilionário Elon Musk, por exemplo, contou que os livros de Isaac Asimov o incentivaram a desejar entrar na corrida espacial.

E o ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama disse que o hábito da leitura o ensinou a ser quem ele é e no que ele acredita.

Por falar em políticas públicas para leitura, os dias e noites de pandemia parecem ser um período bem propício para se divulgar a leitura de livros, jornais e outras publicações. Afinal, quando encontraremos pais e filhos em casa com tempo para ler e discutir um bom livro ou uma reportagem de jornal?

Obrigado por ler a FOLHA!

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