O santo dos tempos modernos
Monsenhor Josemaría Escrivá de Balaguer nasceu em Barbastro, Espanha, em 9 de janeiro de 1902 e faleceu em Roma em 26 de junho de 1975. Portanto, estamos neste ano de 2002, comemorando o centenário de seu nascimento. Em 1928, recebendo uma luz especial de Deus imerecida como costumava afirmar , fundou o Opus Dei, caminho de santificação pessoal através do trabalho e das realidades diárias.
Meditando em sua vida e em seus ensinamentos, interrogava-me como em tão pouco tempo após a sua morte ele foi guindado aos altares da Igreja, sendo beatificado em 1992 e com a canonização marcada para outubro próximo, na Praça de São Pedro, em Roma.
Quais seriam as suas qualidades, suas virtudes, para que João Paulo II agisse com tanta rapidez? Não foi difícil entender. Monsenhor Escrivá, homem culto, inteligente, tinha por outro lado, na simplicidade de sua ação o seu grande carisma. Entendeu como poucos a missão que a todos nós cristãos foi confiada: Ide pelo mundo inteiro e pregai o Evangelho. Mas isso muitos fizeram, porém Escrivá o fez com características próprias. Percebeu desde o início que a tarefa não era exclusiva de sacerdotes e religiosos, nem que deveria ser praticada somente dentro de igrejas ou conventos. Não, foi levar essa mensagem a pessoas de quaisquer condições, onde elas se encontravam, seja no local de trabalho, de estudo, de lazer. Falava-lhes, com carinho, com convicção, com amor, levando a todos uma semente de paz e de alegria. Exortava a todos a buscarem com afinco a santidade a que todos os cristãos estão chamados, simplesmente pelo fato de serem batizados. Dizia que o Opus Dei era antigo como o Evangelho, e como o Evangelho novo, dando a entender que não fazia nada mais do que recordar as verdades de sempre, que são as únicas capazes de conduzir os homens às suas mais profundas aspirações.
Paciente, nunca desanimava com as suas limitações, seus defeitos, e com as incompreensões. Pelo contrário, sempre tinha uma palavra de alento, de confiança, de esperança. As dificuldades foram muitas, mas encontravam em Josemaría um guerreiro valente, pronto para superá-las.
Monsenhor Escrivá sempre ensinou que era preciso trabalhar com o que tínhamos nas mãos, nas mais variadas condições em que nos encontramos, e não ficar esperando tempos melhores ou pessoas mais indicadas. Era preciso confiar nas almas, apostar na boa vontade de todos e, acima de tudo, esperar que a eficácia da graça conduza os homens a uma conduta exemplar.
Hoje o Opus Dei é um fenômeno pastoral estendido pelos cinco continentes, levando a homens e mulheres a mesma mensagem de encorajamento, do otimismo que nosso padre transmitia em suas palestras e círculos. O braço de Deus não diminuiu. Quando comentava este conhecido texto da Sagrada Escritura enchia-nos de segurança nesta batalha de amor para colocar Cristo no cume de todas atividades humanas.
Escrivá, homem simples, homem de fé, homem santo. Agradeço a Deus, a oportunidade que tive em conhecer seus ensinamentos que muito ajudaram em minha vida familiar, profissional e como cidadão comum.
FRANCISCO GALLI é presidente da Sociedade Rural do Paraná





