O Risco Lula
Lula sobe nas pesquisas. No mesmo momento sobem o dólar e o risco país. A cúpula da candidatura petista afirma existir uma espécie de terrorismo praticado pelo mercado contra a campanha. O crescimento de Lula é atribuído, certa forma, à nova roupagem que recebe, com um discurso mais de centro, mais palatável para a classe média.
Lula light, uma versão 2002 do líder sindical. Em recente evento patrocinado pela Confederação Nacional da Indústria, o candidato petista mostrou que preservará a estabilidade monetária e cumprirá contratos. Parece tudo correr bem. Lula mostra-se um candidato amadurecido, barba aparada, grisalha, um homem que entendeu o valor da estabilidade e do empresariado. Seu discurso saiu da extrema esquerda, que outrora assustava o eleitor, e alcançou o centro. Suas diretrizes parecem ter se modificado de tal forma que seu discurso aproxima-se daqueles protagonizados por outros candidatos, como o governista José Serra.
Contudo, pode ser somente aparência, ou seja, uma forma eficaz de atrair eleitores mais de centro. As teses apresentadas por Lula apresentam evidentes contradições. Além disto, existe o problema da dicotomia entre discurso e prática do petista. Alega que respeitará os contratos e ao mesmo tempo diz que baixará as taxas de juros quando assumir o governo. Ora, sabemos que não há como baixar a taxa abruptamente sem que contratos sejam quebrados. Desta vez o candidato visita empresários, mas ao mesmo tempo cultiva perigosos laços de amizade com líderes, no mínimo, polêmicos, como o ditador Fidel Castro e o presidente Hugo Chavéz. Na última visita a Caracas, cravou, referindo-se a Chávez: Ele pensa o que eu penso. Pergunto: será que temos que nos preocupar? Talvez.
Lula considera-se um democrata. Porém pergunto-me a que tipo de democracia ele se refere. Segundo Bobbio, o conceito de democracia é diferente para liberais e socialistas. A democracia liberal é o governo do povo, onde existe a busca pela igualdade de oportunidades e encontra-se o sufrágio universal como princípio fundamental e norteador. Já, na democracia socialista, existe a crença pela busca da igualdade entre todos, ou seja, de uma sociedade planificada. Para os socialistas, igualitários, deve existir desenvolvimento comunitário mesmo que ao custo da diminuição das liberdades. Logo, Lula é temido por inúmeros fatores que iniciam na inconsistência de seu discurso e deságuam nos conceitos de democracia social já praticados por seu amigo Chávez. Se existe o risco de ocorrer no Brasil o mesmo que houve na Venezuela, há razão para temor.
Diante de todo este cenário, torna-se evidente que investir no Brasil, no momento que Lula atinge 43% das intenções de voto, representa um risco.
As chances de ver a Coréia vencedora da próxima Copa são pequenas, logo, quem apostar neste time, correrá maior risco, mas em caso de acerto, ganhará mais, ao passo que uma aposta na Argentina, França ou no Brasil (se tivéssemos convocado o Romário), paga menos, pois estes são países com grandes chances de vencer, ou seja, com risco menor.
Com o mercado acontece algo similar. A vitória da Lula representa um risco de ruptura, pois os governos do PT pelo país mostram um histórico de apoio às invasões e quebra de contratos, como no caso do Rio Grande do Sul. O mercado, ao contrário do que muitos pensam, não tem endereço fixo e telefone na lista, pois é resultante da razão e ação de 6 bilhões de pessoas, logo, quando o risco país aumenta, este apenas sinaliza receios e incertezas. Portanto, investir por aqui com a possibilidade de Lula vencer, é arriscado. Para atrair capital e investimento teremos que pagar mais. O risco Lula é uma realidade e temos que estar preparados para encará-lo.
- MÁRCIO CHALEGRE COIMBRA é advogado e professor de Direito e Relações Internacionais da Universidade Católica de Brasília





