Como o prefeito eleito e impedido Antonio Belinati entrará nesta semana com recurso no Supremo Tribunal Federal buscando recuperar o registro da candidatura, há tempo hábil de essa côrte tomar uma decisão antes da eleição marcada para o próximo dia 29. Bastará que a questão seja colocada na pauta, porque a votação é rápida. Assim, o tribunal evitará a eventualidade de uma nova eleição ser anulada, em Londrina, caso venha a dar ganho de causa ao requerente.

A cidade entraria no registro dos recordes se tiver anuladas duas decisões consecutivas do povo, num mesmo processo eleitoral. E se a questão está pendente, isto pode acontecer. Porque se existe abertura legal para o ingresso do pedido no STF, significa que há uma possibilidade. Dos dois candidatos habilitados (segundo o entendimento da Justiça Eleitoral) para este denominado terceiro turno, Luiz Carlos Hauly não tem desprezado o fato de uma decisão superior poder mudar o rumo dessa história.

Por isso faria bem a alta instância da Justiça se decidisse logo, e isto foi o que manifestou o próprio pivô do caso, o deputado estadual Antonio Belinati, em declaração a este Jornal. ''O julgamento rápido seria bom para mim, para Hauly e para Homero Barbosa'' - ele disse. E sem dúvida seria bom sobretudo para a paz política municipal. Se uma decisão favorável a Belinati venha a ocorrer, e for depois da eleição, o candidato eleito perderá os dois mandatos: de prefeito e de deputado, porque para assumir terá de renunciar ao cargo legislativo. Como os dois concorrentes são deputados federais, ambos correm o mesmo risco. Este é um jogo que aponta para caminhos de vitória e de perda. No caso, já houve dois vitoriosos e dois perdedores finais: Belinati, que foi o vencedor e logo a seguir o perdedor, por decisão da Justiça Eleitoral, e o povo, que pela maioria representativa ganhou mas não levou. Cidade já bem escolada em experimentos políticos, Londrina agora passa por mais um, e vê no horizonte a possibilidade de outro acontecimento inusitado: uma bicassação da decisão popular.

Se Belinati diz, no corpo de sua sustentação perante o STF, que sua impugnação foi ''uma das mais bruscas e inesperadas viradas da jurisprudência eleitoral de todos os tempos, quando já havia sido realizado o segundo turno'', uma nova anulação de eleição seria algo, com toda a certeza, inédito. Dada entrada no processo, como deverá ocorrer, a saida estratégica e inteligente será o Supremo decidir a questão antes da eleição.

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