Francenildo, o caseiro, converteu-se em herói nacional e de repente passa a figurar como vilão, talvez nem por sua vontade mas de seu advogado, que quer indenização de R$ 22 milhões para seu cliente pelo episódio do sigilo bancário violado. E revela-se que o astronauta Marcos Pontes está cobrando R$ 12 mil por palestra acerca de sua viagem espacial e vendendo pela internet (via Houston, Texas) relógios e camisetas personalizados. Estas, nas cores verde e amarela. Além de infringir o Código Militar brasileiro, por ser tenente-coronel, com isso ele obscurece o brilho de sua façanha, exaltada por muitos e também criticada – pelo fato de haver consumido do Brasil 10 milhões de dólares. O gasto não foi um desperdício, porque dividendos chegarão a seu tempo (e não pelas camisetas) em benefício da astronáutica brasileira. Não em função do que o nauta patrício fez no espaço mas pelo significado da presença do Brasil na corrida espacial tripulada, certamente o embrião de algo melhor que ainda virá, no futuro. Mas os exageros é que ridicularizam, como este da exploração comercial e da extravagência de cobrar por palestras, ademais porque o custeio de sua missão foi coberto com dinheiro público. Portanto, seus relatos devem ser feitos gratuitamente. No caso de Francenildo, certamente seu advogado alegará danos morais, mas, em sã consciência, o caseiro não foi prejudicado em nada. Certo é que, se prestou um serviço à nação ao depor na CPI, agora pode causar um dano aos seus concidadãos, que pagarão a conta se vingar a mirabolante indenização. Certas coisas de brasileiros convertem-se em galhofa, como os dois casos citados, assim como ‘‘vira pizza’’ tudo o que se levanta e se prova contra os homens públicos corrompidos. Cada vez que coisas assim acontecem vem à tona a famosa expressão de um diplomata brasileiro servindo na França, de que ‘‘o Brasil não é um país sério’’, frase que foi equivocadamente atribuída a Charles De Gaulle. Se essa afirmação não pode ser levada ao extremo, casos grotescos como o do assessor político preso no aeroporto, por levar na cueca dólares de origem suspeita, e aquela dança da deslumbrada deputada em pleno Congresso, contente pela não-cassação do companheiro sob acusação, e outros do gênero, robustecem a corrente negativa que envolve gente do Governo. Outro abuso é o das absurdas indenizações pedidas por militantes que foram presos e sofreram torturas no último regime ditatorial. Isto ofusca o ideal apregoado na época de que a luta era pela libertação da pátria. Tal perde sustentação como ação patriótica se agora essa gente busca ser paga por isso. Com toda a certeza a maioria visava a tomada do poder, embora não se negue a presença, no episódio, de idealistas históricos. Não se constrói ídolos e heróis dessa forma.

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