Com a recente decolagem do governador Jaime Lerner, tanto nas relações internas como nas de caráter nacional, houve quem precipitadamente achasse que estávamos em marcha acelerada para a retomada do prestígio que tivemos do início dos anos 60 e que teria continuidade nos anos 70 e 80. Na verdade tivemos bons ciclos com retorno em obras, mas também o ônus de perdas territoriais com as barragens das grandes hidrelétricas e consequentemente migrações de paranaenses em busca de novas fronteiras agrícolas.
Apenas presença em ministérios, ficou demonstrado, não traduz o verdadeiro prestígio. Tanto é que não tivemos uma só das universidades estaduais federalizada e o Hospital de Clínicas de Curitiba é o único em que as despesas funcionais não são pagas por fonte ministerial. Não custa lembrar que tivemos na pasta da Educação, logo depois golpe de 64, o professor Flávio Suplicy de Lacerda, seguido de Ney Braga e Euro Brandão e na Saúde emplacamos Aramis Athaide em 55, seguido de Borges da Silveira e Alceni Guerra.
Não fizemos como mineiros e gaúchos, aqueles exportando seus quadros formados no banco de fomento para postos federais e estes obtendo os melhores resultados como Tarso Dutra que numa tacada federalizou seis universidades. Parece que tememos parecer provincianos, defendendo as coisas regionais em favorde uma visão nacional.
De todos o que mudou esse foco foi Affonso Camargo Neto: numerosas obras de porte foram conquistadas com sua passagem no Ministério dos Transportes, tanto que Ponta Grossa hoje vota em massa em seu favor porque é reconhecida pelos benefícios auferidos. Mas teve também iniciativa de caráter nacional, afora as relativas ao cumprimento dos pagplanos rodoviários, ao instituir o vale-transporte, hoje um importante avanço especialmente nos centros urbanos e em favor dos trabalhadores.
Eis um tema de reflexão permanente. Nem sempre obter ministérios é o mais relevante. Precisamos de uma estratégia que não se dilua em manifestações de intenções, forradas de triunfalismo, mas centrada em ações comuns da sociedade e dos partidos políticos.
BIZARRICE Não se pode dizer que qualquer dos nossos partidos, mesmo o PT, tenha um programa acima da expressão dos seus líderes. Quando se diz que se Lerner e Cassio saírem do PFL o partido fica quase condenado ao nanismo tem-se uma prova. É como imaginar hoje o PDT sem Alvaro e Osmar, seus eleitores máximos, e o PMDB sem Requião.
AXIOMA Por falar em lideranças carismáticas como está melancólica a presença de Leonel Brizola no horário eleitoral!
GLOSA A obstrução do PFL à aprovação do imposto do cheque atinge todo o programa de reforma do Estado e de ajuste fiscal da União. O Brasil a pelos recalques de disputas de campanário.
EPIGRAMA A reviravolta dos Esteites no Oriente, atuando vigorosamente por um Estado palestino, mostra que o apoio a Israel como repique ao terrorismo (num tom que lembrava o anticomunismo macartista) estava transbordado e que na continuidade afetaria a sua imagem.
FOLCLORE Aí, na intimidade do partido, veio a pergunta dura para o crítico permanente: e se for convocado você disputa? A resposta veio seca e sentenciosa: digo. E disse.

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