O resultado das eleições
Pessoalmente, votei em Luiz Eduardo Cheida para prefeito de Londrina, em homenagem à sua coerência individual e política e ao élan e vigor de que é possuído, nada obstante os atropelos e sufocos de sua administração passada. À época, a tirania do PT era exacerbada, maléfica, o que sempre foi natural nos partidos e ideologias de minoria e, neste ponto, antiga obra de Olbiano de Melo (A Marcha da Revolução Social no Brasil) confirma que esse autor se cansou da presença absorvente de Plínio Salgado, tanto que chegou a se desligar do Integralismo por esse motivo.
Todo sufoco leva ao cansaço e, na recente História da Alemanha, Albert Speer mostra que, para poder fazer produzir a máquina de guerra, teve de se afastar do chamado inner circle, o círculo íntimo em que Hitler se fechava e, de modo personalista, de forma prepotente e irracional, teimava conduzir só ouvindo aos áulicos sobre os negócios do Estado, que, em 45, experimentou a mais completa derrota.
Hauly não se afinou com os novos tempos do momento e confirmou suas ligações com as classes dominantes que traziam inquietação e não soube apreender o qualificado sentido da mística e do etos do poder; e Farage, embora de forte musculatura política que soube demonstrar na campanha, foi à derrota, porque a comunidade aproveitou-se do instante para dar um basta à era belinatiana.
Daí o povo ter-se maciçamente encaminhado aos dois candidatos vitoriosos, que, dora em diante, terão apenas de discutir propostas e programas que beneficiem horizontalmente à comunidade, tão sacrificada e colocada na contramão dos tempos, em evidente negação de seu expressivo passado político, em que brilharam valores de primeira grandeza, de que José Hosken de Novaes é o mais genuíno exemplo.
Mesmo hoje, em idade adiantada, Hosken é dotado de fino e sutil espírito, à la Anatole France ou mesmo Machado de Assis, e o fato de ser culto e sério, sempre aberto às novas correntes de pensamento e de ter profundas raízes na antiga população do município em todas as classes sociais identificam-no como um verdadeiro ícone de nossa política.
Agora se sabe que a preocupação é de meditar para que rumos migrarão os votos dos vencidos e ainda é cedo para se pretender a segura visão do panorama. Se der Barbosa Neto, espera-se dele permanente amadurecimento para enfrentar, sem compromissos pessoais laterais, a gigantesca etapa que se descortina como grave e áspera; e, se der Nedson, aguarda-se que este se despoje de laços partidários que o engessem e assuma postura que a Revolução Constitucionalista de 32 resumia na frase latina num ducor, duco, ou, no vernáculo, não sou conduzido, conduzo.
Ambos são dotados de qualidades, que a intensa refrega do árduo desgaste do embate demonstrou e as críticas que se lhes fazem e como são expressadas, não os desvitalizam e nem os minimizam: são críticas que partem de grupos sociais fechados e estranhos aos melhores e mais transparentes interesses das necessidades comunitárias atuais. E todos sabemos que nenhum dos dois terá condições de ser pior do que o grupo político recém-desmontado pelo resultado das eleições.
- MOISES DE GODOY é advogado e foi professor de Direito Público em Londrina





