Embora a General Motors descarte um impacto negativo fora dos Estados Unidos pelo pedido de concordata, é obvio que sobrarão estilhaços para o mundo, como ocorreu com a quebra do banco norte-americano Lehman Brothers. Porque o indicativo nada alentador é que serão fechadas cerca de 15 fábricas, mais de mil concessionárias, três centros de autopeças e o desemprego de 21 mil trabalhadores. O aspecto positivo é que a concordata - como remédio jurídico para dar sobrevida à empresa - poderá recuperá-la. Melhor que uma falência, que teria efeito muito mais devastador para a economia mundial e daria alimento substancial à crise financeira existente e que já dura nove meses.
Concordatas são sábias fórmulas do sistema legal para impedir que uma empresa fique insolúvel e para que recupere fôlego e se reerga, ficando imune a ações dos credores por um período estipulado. É uma blindagem temporária sob vigilância da Justiça.
O presidente Barack Obama, que assumiu o Governo ante esperanças do mundo de que promova ações irradiadoras de paz para a humanidade - pela circunstância de estar à frente da maior e mais influente nação do Planeta - teve como fardo adicional administrar os efeitos da crise, que irrompeu justamente dentro de seu país e pelos pecados dos seus. Para ele, a concordata da GM é ''viável e realista''. Obama manifesta-se otimista, inclusive com a perspectiva de recuperação também da Chrysler. Ele crê que o equilíbrio das duas empresas chegue rápido. A administração federal entrará com um aporte de US$ 50 bilhões, dos quais US$ 20 bilhões já foram liberados. O Governo canadense contribuirá com cerca de US$ 10 bilhões, em troca de 12,5% de participação acionária da GM. Encargos sociais da empresa serão diminuídos até que ocorra a esperada cura. Este é apenas um dos aspectos do esforço anticrise, porque os EUA também gestionam com a potência chinesa para que se volte mais para o próprio consumo interno e menos para exportações para o mercado norte-americano, naturalmente como forma de favorecer a indústria estadunidense. Essa proposta é uma faca de dois gumes porque poderá significar menos aquisição de títulos do Tesouro americano pela China. Com tais aquisições os chineses financiam o consumo de seus produtos nos Estados Unidos.
Este é o pulsar dos negócios entre nações, porque eles são bilaterais e operam em rede. Não foi por acaso que a quebra de uma instituição financeira nos EUA abalou o mundo. O consumo é necessário, mas Obama sabe que seu povo é gastador e que aprecia os automóveis grandes e beberrões, por isso também está pedindo que comece a pensar em veículos menores. São muitas frentes simultâneas para afastar o fantasma da crise.

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