O recado que o fundador e líder nacional do MST, João Pedro Stédile, está dando (entrevista à Agência Reuters, sexta-feira à noite) é direto e pode ser resumido na velha frase – por sinal campeira – dos acuados: ‘‘Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come’’. Exagero à parte, é a fala dele que deixa entrever o cenário sugerido pela metáfora. Mais: é ilusório achar que o palco da violência, que terá muitos políticos como atores, se restringirá ao campo. O alvo será também o território urbano. Por consequência natural ou estratégica dos seus precursores.
  O que previu, afinal, o influente Stédile? Ele disse que o Brasil viverá um aumento das ocupações de terra se Dilma Rousseff (PT) vencer as eleições e um crescimento da violência no campo caso José Serra (PSDB) seja o escolhido. Stédile explica que a intensificação de atos num eventual governo do PT ocorre justamente pelas afinidades históricas entre os dois grupos. ‘‘Um operário, diante de um patrão reacionário, não se mobiliza. Com Dilma, nossa base social perceberá que vale a pena se mobilizar, que poderemos avançar, fazendo mais ocupações e mais greves’’, disse. Cada um tire a conclusão que quiser dessa certeza de Stédile.
  Para sorte de muitos e conforto dos céticos, Stédile, ‘‘viaja’’ no pensamento e faz exercício de antevisão do mandato de quem lhe é adversário, conferindo um cunho eleitoral na sua predestinação. Assim diz ele: ‘‘Se o Serra ganhar, será a hegemonia total do agronegócio. Será o pior dos mundos. Haverá mais repressão. A vitória dele é a derrota dos movimentos sociais’’. Por essa razão, a opção ‘‘majoritária’’ do movimento é apoiar a petista – mesmo que, nos últimos anos, justamente num governo considerado amigo, o MST tenha se enfraquecido e chegado à conclusão de que ‘‘o agronegócio venceu’’. Como se observa sobrou para o Lula. E como sobrou: ‘‘Lula não fez reforma agrária, mas uma política de assentamento. Metade dos números do governo é propaganda’’, afirma Stédile. Ele não está errado.
  Em uma análise superficial, a lógica de Stédile é que Dilma garantirá as invasões, e o movimento avança (supondo sem resistência nas áreas ocupadas). Já com Serra, caso haja reação, haveria aumento da violência. Infeliz dedução. Por que não defender uma ‘‘reforma agrária jᒒ e sem violência?

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