O recado das urnas
Ainda não foi uma faxina geral, mas que o brasileiro varreu algumas velhas raposas da cena política nacional, varreu. Fernando Collor de Mello, Paulo Maluf, Orestes Quércia, Celso Pitta e Leonel Brizola receberam um retumbante ''não'' das urnas neste domingo.
Alguns representantes do velho jeito de governar retornaram ao Poder, é verdade. Caso de Antonio Carlos Magalhães, que renunciou ao mandato de senador para evitar um processo de impeachment e acabou reconduzido ao Poder. Não chega a surpreender. Na Bahia, o carlismo resiste.
Mas, de modo geral, os caciques se deram mal. O eleitor despachou pesos-pesados da política brasileira para a aposentadoria bem remunerada, a propósito e abriu passagem para a renovação dos quadros do Poder. Mostra, com isso, que quando fala em mudança não está apenas repetindo o bordão preferido desta campanha eleitoral.
E tem motivos para estar farto do circo de horrores protagonizado por seus representantes legítimos, tanto do Executivo como do Legislativo (e até do Judiciário, basta lembrar o juiz Nicolau dos Santos Neto).
Escândalos financeiros, desvios de dinheiro, denúncias de corrupção, acusações de favorecimentos, licitações fraudulentas, CPIs. Fica a impressão de que basta puxar um fio em qualquer esfera do Poder no País para aparecer um crime, um roubo, um atentado aos cofres públicos.
Até o tom da campanha eleitoral parece pesar na hora do voto. No Paraná, foram tantas as acusações recíprocas de Paulo Pimentel e Tony Garcia durante a propaganda eleitoral que ambos acabaram sem a tão desejada vaga no Senado. Pelo visto, o eleitor levou em conta o que os dois disseram.
Ruth Meira





