A vitória apertada de Roberto Requião, de pouco mais de l0 mil votos num universo de 7 milhões de eleitores, e especialmente a sua derrota em todas as grandes cidades, sem exceção, é um recado eloqüente de que esses núcleos populacionais exigem mais do atual governador. Será necessário mudar políticas e contemplar melhor esse blocos mais populosos, onde se concentram, com mais intensidade, os problemas sociais. Destacadamente nos setores de saúde, segurança pública e educação. A vitória na maioria dos pequenos municípios robustece a tradição de que o Governo tem maior influência nesses pontos, pela maior facilidade de negociação com os prefeitos, de mante-los fiéis a sistema de comando e possibilitar que induzam o eleitorado. Face à baixa e surpreendente diferença de votos, é preciso também avaliar a expressiva votação de Osmar Dias e levar isto à conta de que metade do eleitorado está descontente com algo do Governo, que agora terá mais 4 anos de continuidade. A própria Capital surpreendeu, porque também ali Requião perdeu, e isto revelou algo mais: que a tradicionalista metrópole é capaz de votar preferencialmente num candidato com raízes no interior. Londrina, a segunda mais importante cidade do Estado, falou pela voz das urnas que quer o governador mais presente, porque lhe concedeu apenas 28% dos votos e subtraiu-lhe 72%. Embora os programas de Governo, anunciados pelos dois candidatos, tenham sido quase idênticos, pontos específicos do concorrente precisam ser considerados pelo reeleito, porque representam o referendo de 50% dos votantes menos aquele número de votos que, afinal, possibilitaram a virada nos instantes finais da apuração. Requião ingressa em seu quarto mandato, e Osmar – embora perdedor – sai fortalecido. No plano federal, não se concretizou o anseio de renovação, e os segmentos da população mais à direita e mais produtiva mantém, com toda a certeza, a mesma apreensão ante a continuidade das políticas do Governo Lula. Foi o voto da pobreza que pendeu a balança, por mais que o Presidente – como fez em seu discurso da vitória, ontem – declare que o povo votou no acerto de sua administração. Lamentável o relevo – que mais uma vez fica demonstrado – da existência de tantas pessoas naquela condição e da crença ilusória, desse mesmo contingente populacional, de que o paternalismo assistencialista possa sustentar permanentemente uma vida de qualidade. Doravante o presidente da República terá de olhar o Brasil com visão mais expandida, de forma a promover desenvolvimento e tirar o País da humilhante condição de penúltimo colocado em crescimento econômico, na América Latina. Este é um dado irrefutável, que não se apagará com discursos triunfalistas de pós-vitória.

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