Ainda que o rebaixamento da nota do Brasil de grau de investimento, anunciado essa semana pela agência internacional Standart&Poor’s, tenha surpreendido o próprio governo, também não se pode negar que a atitude já era esperada, considerando os erros da própria gestão federal e a atual crise econômica e política.
A classificação significa que aos olhos dos investidores, o Brasil não tem mais capacidade de honrar seus compromissos financeiros, o que acarreta em um aumento da taxa de juros para governos e empresas que buscam financiamento no exterior. Há risco também de fuga de capital do País e de investidores paralisarem seus investimentos. De quebra, a cotação do dólar pode subir ainda mais e a bolsa de valores pode perder ainda mais.
Outro efeito é que a agência incluiu estatais, como a Petrobras e a Eletrobras, nessa categoria considerada especulativa "com perspectiva negativa" o que pode prejudicar ainda mais essas empresas, uma vez que a petrolífera, por exemplo, acumula dívida milionária – além de ser o centro de um grandioso esquema de corrupção. A ressalva indica a possibilidade de novos rebaixamentos: o grau especulativo é dividido em 12 níveis e, por enquanto, o Brasil está no mais elevado.
No entanto, a sociedade tem que pressionar o governo a tomar medidas concretas e efetivas que ajudem o País a sair da crise na qual se encontra e que foi colocado pelo próprio partido governante. A peça orçamentária de 2016, enviada ao Congresso com previsão de deficit orçamentário, não foi bem recebida pelo mercado financeiro. Indica um governo perdido, sem planejamento e sem rumo – incapaz de cortar suas próprias despesas.
É hora de uma revisão séria e aumentar impostos não é a solução. O setor produtivo e a própria sociedade não suportam mais uma carga tão elevada. Ainda que sejam medidas impopulares ao governo, é preciso cortar gastos e, principalmente, reduzir o peso da máquina pública. Essas são as medidas urgentes a se fazer e que a sociedade espera.

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