O ranking da escravidão moderna
Uma das dez maiores economias do mundo, o Brasil está entre os cem países com os piores indicadores de trabalho escravo. Nós ocupamos a 94ª posição em um ranking de 162 nações, conforme apontou a primeira edição do Índice de Escravidão Global, lançado pela ONG internacional Walk Free Foundation. A entidade tem como objetivo identificar locais e empresas que praticam a escravidão moderna, caracterizado pelo trabalho forçado, tráfico humano, trabalho servil derivado de casamento ou dívida, exploração sexual e exploração infantil. Vinte e nove milhões de pessoas vivem nessas condições em todo o mundo. No Brasil, a ONG calcula que existam 200 mil pessoas vivendo no regime de escravidão moderna.
Mauritânia, Haiti, Paquistão, Índia e Nepal estão no topo do ranking.
No Brasil, casos de escravidão moderna ocorrem com mais frequência na área rural e nos setores de vestuário e construção civil. Preocupa também a exploração sexual infantil. No Paraná, o quadro não é diferente e em 2012 foram resgatadas 256 trabalhadores em condições degradantes. Naquele ano, dois Estados apresentaram número maior de pessoas resgatadas: Pará (563) e Tocantins (321).
O Brasil vem avançando em ações de combate à escravidão moderna e o relatório destaca como pontos positivos o Plano Nacional Para a Erradicação do Trabalho Escravo, além do Plano Nacional Contra o Tráfico Humano. Outro ponto elogiado pela instituição estrangeira é a lista suja do trabalho escravo, divulgada pelo Ministério do Trabalho e que expõe empresas que exploram seus contratados.
Mas essas ações ainda não foram suficientes para tirar o Brasil de uma posição vergonhosa na lista da Walk Free. A realidade pode se reverter de maneira mais rápida a partir da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Trabalho Escravo, que está tramitando no Congresso. Ela vai definir o que pode ser considerada situação análoga à escravidão e as punições que serão aplicadas aos responsáveis. Porém, é preciso mais que uma operação policial para mudar a vida desses trabalhadores explorados e ameaçados. As autoridades e a sociedade têm que oferecer condições de qualificação profissional para que os homens e mulheres resgatados tenham condições de buscar um emprego melhor e viver com dignidade.





