A importância do trabalho em nossas vidas é algo inquestionável. Portanto, o trabalho já foi estudado, descrito, analisado e catalogado inúmeras vezes. Gosto da descrição de que trabalhar é arte, oportunidade de se expressar, crescer espiritual e pessoalmente; tornar o mundo mais parecido conosco.
Ao longo de nossas vidas e trajetórias profissionais, nós mulheres e homens construímos planos permeados por projetos que envolvem as vivências de trabalho nas quais interagem formas de reconhecimento ou apenas de meio de sobrevivência.
Através do trabalho, enquanto busca de prazer e realização, o homem tem a oportunidade de transformar e recriar a natureza, conforme suas necessidades e de acordo com os planejamentos por ele elaborados, criar a sua identidade (cultura, linguagem, história) e dar sentido a sua vida.
O trabalho, além de prover condições de sobrevivência do homem, tem um forte papel na organização social: a vida, os horários, as atividades, etc. O trabalho cria uma identidade pela ação concreta e pelo significado que recebemos no campo social, através de como o outro nos vê. Ao mesmo tempo em que identifica o homem, o distingue dos outros indivíduos.
O trabalho é construtor de uma identidade, pois sem ele o indivíduo encontra dificuldade em dar sentido à sua vida. Desde a infância, o homem é educado para trabalhar, fazer uma escolha profissional, responder a perguntas como: ''O que vai ser quando crescer?'' ''O que você é?'', ou seja, ter uma identidade ocupacional.
A responsabilidade pesa nos ombros do trabalhador desempregado. Falar que saiu do emprego sugere uma explicação e uma desconfiança. A responsabilização por não ter acompanhado as exigências do mercado, de não ter cedido em alguns momentos, de não ter feito tantas coisas e feito tantas outras, enfim, a responsabilidade pela realidade social.
Diante da importância do trabalho em nossas vidas, não é difícil entender a situação do homem frente ao desemprego. ''O que vai ser de mim?''; ''Minha vida inteira está aqui dentro''; ''Não consigo pensar em mim fora daqui''; ''Todos os meus amigos estão aqui''. Evidencia-se uma desestruturação não apenas financeira, mas de identidade. Sentir-se fora significa estar sendo impedido de trabalhar e, principalmente, de ser.
SÔNIA REGINA PINTO SANTOS CARRERI é psicóloga em Londrina e especialista em Psicologia do Trabalho e Gestão de Pessoal

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