Ah, o velho Vitorino! Em tempos de ansiedade e euforia pela reinauguração do estádio, o torcedor saudosista prepara o coração para acompanhar o time da cidade de volta à sua casa. Após quase uma década sem receber partidas, o estádio volta a ser palco de emoções para os torcedores, principalmente os saudosistas, que relembram o acesso à Série B, conquistado após 12 anos.

Nos últimos jogos no VGD, o Londrina manteve uma invencibilidade em casa, com vitórias e empates marcantes, como Londrina 1x0 Paraná e Londrina 6x0 Parauapebas. Essas lembranças criaram uma relação afetiva com o estádio, que transcende os resultados dos jogos. A história do estádio se confunde com a da própria cidade de Londrina, já que o terreno foi usado para o futebol desde 1940. No início, o campo era utilizado para peladas por funcionários da Indústria Mortari, vizinha ao local.

O São Paulo Futebol Clube e o Esporte Recreativo Operário ocuparam o espaço, sendo o Operário formado por trabalhadores da Oficina de Foices Minatti. A rivalidade entre esses times fez as peladas se tornarem mais organizadas e competitivas, o que levou à necessidade de uma estrutura mais adequada. A união entre times, torcedores e funcionários resultou em melhorias no campo, com gramado, travessões e arquibancadas de madeira.

Em 1944, o terreno foi doado para Jacob Bartolomeu Minatti, que tinha a intenção de construir um estádio. Finalmente, em 7 de setembro de 1945, o Estádio Capitão Aquiles Pimpão Ferreira foi inaugurado. O nome homenageava um delegado da cidade, mas o apelido “Pacaembuzinho”, em referência ao estádio Pacaembu de São Paulo, logo pegou. Na sua estreia, o Operário foi derrotado pelo Palmeiras por 7 a 0, mas o estádio começava a ganhar importância na cidade.

Durante a década seguinte, o estádio passou por melhorias. Em 1946, ganhou novo gramado, arquibancadas de alvenaria, vestiários e bilheteiras, mas a estrutura final foi consolidada apenas em 1956. Em 1952, a prefeitura de Londrina desapropriou o estádio por 200 mil cruzeiros, declarando-o de utilidade pública. No ano seguinte, o nome do estádio foi alterado para Vitorino Gonçalves Dias (VGD), em homenagem a um entusiasta do esporte local, que faleceu precocemente.

A reinauguração aconteceu em 24 de junho de 1956, com um jogo do recém-fundado Londrina Esporte Clube, contra o Corinthians de Presidente Prudente. O jogo terminou em 1x1, e o estádio recebeu 18 mil pessoas. Embora o estádio tenha sido público após a desapropriação, o Londrina Esporte Clube manteve a sua administração, garantindo até hoje o uso exclusivo do espaço. O terreno de 20 mil metros quadrados, no coração de Londrina, representa mais que um campo de futebol.

Voltamos à pergunta do início: o que tem de tão mágico no Vitorino? O que torna o Vitorino mágico não são apenas os jogos que aconteceram ali, mas o vínculo afetivo que o torcedor estabelece com ele. Ao longo dos anos, o estádio se tornou um símbolo de identidade para a cidade. As histórias que aconteceram dentro do VGD estão profundamente ligadas à memória coletiva de Londrina. O velho estádio se tornou o palco de alegrias, tristezas, encontros e desencontros.

Para o torcedor antigo, o Vitorino é como um velho amigo, e para o novo torcedor, ele representa a sensação de finalmente estar em casa. Esse vínculo emocional é o que torna o Vitorino único. Não é apenas um local para jogos de futebol, mas onde os torcedores criam memórias que vão além dos resultados em campo. Seu valor vai além das suas arquibancadas e do gramado: ele está na história que ele carrega, nas pessoas que ele acolhe e nas emoções que desperta. O resultado dessas histórias, das memórias coletivas e do afeto individual, contribui para a construção de um ambiente que transcende sua função esportiva.

Nunca será somente o futebol.

Rodrigo Batista da Silva, mestrando em Geografia e pesquisador em Lugares de Memórias Afetivas, PPGEO/UEL

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