Pelas obras, a localização das praças de pedágio que a empresa Viaoeste está construindo na Castellinho (ligação de Sorocaba com a Rodovia Castello Branco) e na própria Castello Branco, em São Paulo, a diferença entre um pedágio e outro será de 5 km. Ou pouco mais de três minutos. Parece coisa tipo ‘‘pega trouxa’’. Não escapa quem vai de Sorocaba para São Paulo nem quem vai de Itu para São Paulo nem quem sai de Boituva, Votorantim, Araçoiaba, Itapetininga, Tatuí e tantas outras cidades da região. E há aqueles que, em caminhões 5 eixos, trazem divisas do Sul, do Paraná para São Paulo e desde lá já vêm pagando pedágio.
Creio que seja inconstitucional cobrar pedágio (do jeito que será cobrado aqui e já está sendo em algumas rodovias) para financiar construção ou duplicação de rodovia. Os recursos para a construção geralmente vêm de financiamentos do BNDES ou de bancos Internacionais, mas quem paga mesmo somos nós e com todos os juros. O Ministério Público deveria tomar uma posição sobre o assunto, mediando o que é justo cobrar e sobre o que se deve cobrar.
O Brasil parece caminhar para um sistema comunista ao contrário, às avessas. No comunismo tradicional tudo pertence ao Estado. O povo trabalha para o Estado. No Brasil, hoje se recebe o salário (aqueles que recebem) já com 27,5% descontado para o Leão, mais o desconto do INSS e outros descontos menores como o seguro de vida etc.
E a sobra? Bem, aí com a sobra se tem que pagar uma boa previdência privada, um bom seguro-saúde, uma boa escola particular, mais o imposto do vestuário, o imposto do calçado, o imposto da alimentação, o imposto do carro, o tributo do emplacamento, o IPVA, o imposto do combustível, um bom seguro para o veículo. E em cima de tudo isso está a maldita CPMF.
E agora? Bem, agora vem aí o festival de pedágios, de norte a sul do País. Ou seja, você devolve seu salário da seguinte forma: boa parte para o próprio governo e outra boa parte para grupos oligárquicos poderosos. E a sobra da sobra? Pouco, quase nada. Tão pouco que a classe média brasileira vem ladeira abaixo.
Assim não se faz uma Nação. Que me desculpem os sociólogos de plantão. Em tempos de eleição, como agora, pergunto: devemos reeleger algum daqueles que em quatro anos deveriam zelar pelo bem comum? Devemos reeleger algum daqueles que em quatro anos receberam religiosamente em dia seu salário, semana de três dias, dois ou três períodos de férias, recessos para assistir à Copa do Mundo, mas que foram negligentes com a coisa pública, protelando projetos importantes em troca de favor partidário ou pessoal? Será que devemos reeleger alguém?
Nós, eleitores - e os demais brasileiros - deveríamos pensar muito a respeito dos nossos representantes no Congresso, na Assembléia Legislativa, na Câmara de Vereadores. Afinal, a carga tributária é quase igual para todo mundo, e do jeito que a coisa vai, não dará tempo nem de engatar a 4ª marcha. Teremos, todos, que parar para pagar o pedágio.
Não sou contra a cobrança do pedágio, nem contra os tributos. Sou contra a indústria da tributação e agora contra esta indústria do pedágio que está se instaurando no Brasil, principalmente ao longo dos 90 km que separam Sorocaba de São Paulo, quer pela Castello, quer pela Raposo.
- EUDES DE ARAÚJO é secretário executivo em Barueri (SP)

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