O alto índice de abstenções no segundo turno foi um dado muito preocupante trazido pelas eleições municipais de 2024. O número expressivo de eleitores que estavam aptos a votarem e deixaram de comparecer às urnas revela um cenário de desinteresse pela política e até mesmo um distanciamento dos cidadãos com seus representantes locais.

Dos 33.996.477 de brasileiros aptos a votarem no domingo (27), 9.947.369 deixaram de registrar a preferência, causando abstenção de 29,26%, número superior ao que foi contabilizado no primeiro turno, quando o índice de ausência foi de 21,71%. Os dados foram divulgados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). É como se a cada 10 eleitores, 3 não votassem.

O segundo turno ocorreu em 51 municípios brasileiros. A abstenção registrada no domingo (27) ficou atrás apenas do segundo turno da votação de 2020, durante a pandemia da Covid-19. Há quatro anos, o total de brasileiros que não votaram atingiu 23,15% no primeiro turno e 29,53% na fase seguinte do pleito.

Em algumas cidades, o número de eleitores faltosos chamou a atenção porque ultrapassou a média nacional. Foi o caso de Londrina, onde o número de abstenções chegou a 123.662, representando 30,94% do eleitorado em condições de votar. O próximo prefeito de Londrina será Tiago Amaral (PSD), que venceu a Professora Maria Tereza (PP).

Em Curitiba, o índice alcançou 30,37%, superior ao registrado no 1° turno, que foi de 27,74%. Na capital paranaense, 432 mil eleitores não foram às urnas, número maior que os 390 mil votos conquistados pela derrotada no pleito, Cristina Graeml (PMB). O vencedor foi Eduardo Pimentel, do PSD. Em São Paulo e Porto Alegre o índice de abstenções ultrapassou 31%.

O TSE pretende investigar os fatores que podem ter levado à alta abstenção em um trabalho que deverá envolver os Tribunais Regionais Eleitorais. A ideia da Corte é desenvolver estratégias para enfrentar a situação.

É muito importante que esse cenário seja analisado seriamente, pois enfraquece as bases do sistema democrático e compromete, inclusive, a representatividade dos eleitos. Por isso, a preocupação em desvendar o que despertou tamanho desinteresse da população também deve ser dos partidos políticos e não apenas da Corte eleitoral.

É fundamental reforçar a importância do voto por meios de campanhas de conscientização contínuas, bem elaboradas, que aproximem o cidadão de seus representantes e do processo eleitoral.

Já os partidos políticos poderiam adotar uma comunicação mais transparente, voltada a questões locais, tratando da resolução dos problemas das comunidades. A abstenção não deve ser tratada simplesmente como um detalhe estatístico. Ela é um alerta de que parte expressiva da população não se sente representada ou motivada a exercer seu direito ao voto.

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