O que
representa
a pessoa
portadora de
deficiência?
Marisa Goettel do Nascimento
No último dia 21 deste mês, comemorou-se o Dia Internacional da Pessoa Portadora de Deficiência. Poucas pessoas tiveram acesso a tal informação. Diante disso, é preciso refletir sobre o que representa a pessoa portadora de deficiência para a sociedade.
Rejeição, estigmatização, superproteção e segregação são as formas mais comuns tomadas em relação às pessoas portadoras de deficiência. - Então, nessa diversidade de posturas, como identificar a verdadeira essência das pessoas portadoras de deficiência enquanto ser humano?
Cabe aqui citar Sartre: ‘‘Para obter uma verdade qualquer sobre mim, eu preciso passar pelo outro... o outro é indispensável à minha existência, assim como ao conhecimento que tenho de mim’’. É preciso imaginar-se no lugar destas pessoas.
Imagine uma atividade que você deve fazer várias vezes por semana... Mas, se um cadeirante precisa fazer um depósito bancário ou pagar uma conta, como ele consegue entrar se a porta de detectora de metais proíbe a sua entrada? Dentro do banco, ele tem que contar com a ajuda das outras pessoas para conseguir chegar até o caixa e finalmente pagar a sua conta. Isso sem contar as outras dificuldades que ele deve ter enfrentado até chegar ao banco. Este é apenas um dos milhares de exemplos que poderiam ser analisados e que não caberiam nessas linhas.
Se fizermos o exercício de nos imaginarmos com alguma deficiência, quantas barreiras, quanta solidão e sentimento de distanciamento enfrentaremos?
Não podemos ter como resultado deste exercício simplesmente um momento de emoção. Precisamos de mais. Precisamos lutar para diminuir o sofrimento da pessoa portadora de deficiência. A luta não é só em busca de recursos para construção de escolas de educação especial ou pela manutenção dos serviços nesta área. A luta começa no dia-a-dia e nas pequenas coisas. O primeiro passo é vencer o preconceito.
Oficialmente, de acordo com senso realizado em 96 pela Secretaria de Ação Social da Prefeitura de Londrina, temos na cidade 3.068 pessoas portadoras de deficiências, auditiva, visual, mental, física e múltiplas. Será que quando saímos pelas ruas da cidade encontramos estas pessoas? Onde elas estão? Vale aqui refletir se elas moram em Londrina por que não estão pelas ruas da cidade, nos cinemas, nas praças? Preconceito muitas vezes é a resposta para esta pergunta.
As pessoas da sociedade não estão habituadas a ver pessoas portadoras de deficiência e muitas vezes se chocam e se sentem incomodadas com o fato. Às vezes a família esconde seu deficiente por medo ou vergonha.
Qualquer tipo de deficiência não escolhe classe social. Ela está em cada uma delas, atingindo qualquer família, sendo rica ou pobre. Então é preciso que todos os órgãos prestadores de serviço e a sociedade civil participem desta luta pela conscientização.
É preciso reconhecer o portador enquanto cidadão, não o discriminando e nem o colocando à margem do convívio social, transformando as concepções atuais e resgatando o respeito às diferenças individuais.
- MARISA GOETTEL DO NASCIMENTO é assistente social e secretária municipal de Ação Social de Londrina

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