O que quer agora o ministro Rodrigues?
O que quer agora o ministro Roberto Rodrigues ao permitir que a União protele a indenização antecipada para o abate-sacrifício (determinado pela Justiça) dos bovinos suspeitos de aftosa da Fazenda Cachoeira? Com toda a certeza quer atormentar ainda mais a vida dos pecuaristas paranaenses, de quem se revelou um inimigo. Verba existe, só bastando cumprir a determinação judicial e assim iniciar-se o processo de levantamento dos embargos, que mantêm atada a pecuária do Paraná desde outubro e a deixa fora do mercado internacional de carne de bovinos, suínos e parcialmente de aves, além das restrições internas. Pela relevância da questão, o valor a ser pago pelo aguardado abate dos 1.795 bovinos (R$ 1.285 milhão) é insignificante. Não há dúvida de que vigora, por parte do ministro, uma guerra de retaliação, supostamente motivada pela oposição do Governo do Paraná à produção de soja transgênica e às afirmações do governador de que Rodrigues operava a serviço da multinacional Monsanto, interessada direta no negócio. Suposições à parte, pergunta-se qual é agora a justificativa do ministro para retardar o andamento do processo. Sabe-se que o Ministério não quer pagar sozinho a indenização, como determinou a Justiça. Então, o impasse continua, causando prejuízo de milhões para o Paraná e para o Brasil. Conforme alerta o Fundepec em nota publicada ontem neste Jornal, para voltar a operar externamente em 6 meses o Paraná precisa obedecer às regras da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), e caso não o faça com as autoridades postergando decisões o prazo para o Estado voltar ao comércio externo de carnes e ao pleno exercício do mercado interno levará pelo menos um ano e meio. A Justiça já determinou o abate, condicionado ao pagamento adiantado do lote a ser abatido, mas fala-se que a União impetraria recurso contra essa questão do pagamento antecipado. Fosse este um Governo sério e se o presidente da República estivesse atento aos grandes problemas nacionais, este senhor Rodrigues já teria sido demitido. E tão pouco sério é o Governo que se exige dele pagamento adiantado, por temor de calote. A questão está sendo tratada, na esfera governamental, sem o menor senso. O Fundepec também culpa a Secretaria de Agricultura e Abastecimento de haver se eximido, desde o início, do ''dever de proceder ao sacrifício dos animais sob suspeita'', como estabelece a OIE. Essa instituição já demonstrou não dar crédito às ações de defesa sanitária, no Brasil. Como declara, em artigo de ontem nesta página, o professor e coordenador do curso de Medicina Veterinária do Cesumar de Maringá, Raimundo Alberto Tostes, ''é deplorável que, ao autuar na investigação de focos, o Ministério aja de maneira unilateral, obtusa, confusa e enviesada politicamente''. Há temores de que essa novela da aftosa não tenha fim tão breve se depender das autoridades governamentais, ministro Rodrigues à frente.





