O que podemos esperar das campanhas
Quem esperava que, após quase 22 anos de promulgada a Constituição, a sexta eleição direta para Presidente da República tivesse uma campanha amadurecida, em que a democracia se mostrasse totalmente consolidada, está padecendo de uma frustração cívica. Neste período pré-eleitoral, em que as candidaturas sequer foram oficializadas, os dois pré-candidatos mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto na disputa pela sucessão de Lula, estão dando ao eleitor, uma pequena amostra do tom da campanha até outubro.
O ''clima'' começou a esquentar já há algum tempo. Não é de hoje que o governo Lula se dedica a promover a então ministra-Chefe da Casa Civil Dilma Rousseff, visando o pleito. Depois de incontáveis representações - e acusações nada amistosas de ambos os lados - a oposição conseguiu que a Justiça Eleitoral impusesse multas ao presidente pelo suposto uso da máquina administrativa.
O mais recente episódio envolve um suposto dossiê que estaria sendo feito contra o pré-candidato tucano José Serra sob a encomenda do comando de campanha da petista. Serra teria imputado a responsabilidade pelo dossiê à ex-ministra. O PT já anunciou que irá interpelar judicialmente o oponente pela declaração dada à imprensa.
Bastou o caso virar notícia para ser trazido à tona resquícios de campanhas passadas. Serra fez questão de lembrar do chamado ''dossiê dos aloprados'' que apareceu na campanha de 2006 contra o tucano. Dilma reafirma que o PSDB representa o fantasma das privatizações.
Enquanto deveríamos estar discutindo propostas de solução - ou no mínimo encaminhamento - para os milhares de problemas que pululam a cada minuto, nos vemos como espectadores deste tipo de campanha antecipada de baixíssimo nível.
Infelizmente, enquanto os pré-candidatos e suas equipes ficarem brigando pela ''paternidade'' dos tais dossiês, perde a população, perde o eleitor, perde a democracia.





