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m de leitura Atualizado em 23/03/2022, 09:13

O que já é possível saber, mas não é divulgado, sobre a guerra

Professor da UEL fala sobre a Guerra na Ucrânia, que completa um mês nesta quinta-feira (24)

PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de março de 2022

Fábio César Alves da Cunha
AUTOR autor do artigo

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Passadas quatro semanas do início da guerra na Ucrânia, o que é possível afirmar sobre o conflito que não é veiculado na Mídia Corporativa Ocidental:

1- Esta guerra poderia ter sido evitada! Bastava o presidente da Ucrânia ter assinado um documento declarando que seu país não entraria na Organização do Tratado do Atlântico Norte – Otan. O mesmo documento poderia ter sido feito pela própria Otan ou pelo governo dos EUA, mas parece que eles queriam mesmo a guerra.

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2- Existiu mesmo um acordo no qual a Otan se comprometia a não avançar para o leste, para os países da antiga União Soviética. Este acordo também não foi cumprido! A Otan já cooptou 14 países e ainda acenou para a Ucrânia, uma das causas da guerra.

3- A Ucrânia é o último território que ainda pode dar uma certa segurança para a Rússia; caso contrário, os armamentos da Otan ficarão muito próximos à Moscou. Seria o mesmo que a Rússia querer colocar novamente armamentos na Ilha de Cuba. Os EUA não iriam permitir isso! Fato que já ocorreu na crise dos mísseis em 1962.

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4- É real que ocorreu um golpe de estado na Ucrânia em 2014 com o apoio dos EUA. Retiraram um presidente eleito democraticamente e colocaram um outro, representante alinhado aos interesses norte-americanos.

5- A subsecretária de Estado da Casa Branca, Victoria Nuland, que ajudou a dar esse golpe contra a democracia na Ucrânia, pede hoje, contraditoriamente e com hipocrisia, que os americanos devem ir para esta guerra para salvar a democracia na Ucrânia.

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6- O atual presidente americano Joe Biden, vice-presidente de Obama em 2014, também colaborou com o golpe na Ucrânia. Chama a atenção que, logo após, seu filho, sem nenhuma experiência no setor, foi contratado por uma grande multinacional com um salário 50.000 dólares.

7- Como consequência do golpe de 2014, a Rússia correu para anexar a Criméia. A Ucrânia iniciou um ataque às populações das regiões separatistas de Luhansk e Donetsk, na região do Dombass. Uma guerra que já dura oito anos, com mais de 14.000 vítimas, incluindo mulheres e crianças, e que não é divulgada pela mídia ocidental.

8- Como tentativa de acabar com o conflito de 2014, foi assinado o acordo de Minsk, que assegurava para estas duas regiões a possibilidade de se tornarem autônomas. Este acordo também não foi respeitado pelo governo da Ucrânia. ONU e EUA nada fizeram sobre isso.

9- É real que laboratórios de pesquisas ucranianos podem estar desenvolvendo armas biológicas. A mesma subsecretária da Casa Branca não pôde negar isso em depoimento ao Senado americano no último dia 8 de março.

10- As sanções aplicadas contra a Rússia vão reverter sobre as economias do ocidente e vão trazer para todo o mundo inflação, desemprego, empobrecimento e fome.

Na verdade, não é uma guerra entre Ucrânia e Rússia, mas sim entre Estados Unidos, que usam a Ucrânia como fantoche, contra a Rússia e a China. O presidente da Ucrânia e a ONU são também responsáveis pela destruição da Ucrânia e das vítimas do conflito. Isso não diminui a responsabilidade de Putin, já que toda invasão à uma nação soberana deve ser condenada.

Os EUA estão percebendo, já há algum tempo, que estão perdendo sua hegemonia mundial instaurada em 1990. A economia chinesa e o poderio militar russo se constituem uma ameaça para os americanos. Para alguns analistas, essa guerra objetiva desestabilizar a Rússia e a China para os EUA, mas, contraditoriamente, pode servir para uni-las ainda mais nesta concorrência mundial desenfreada.

Fábio César Alves da Cunha é geógrafo e docente do departamento de Geociências da Universidade Estadual de Londrina.

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