O QUE FOI DITO
Zona Azul
Num sábado parei o carro na Rua Pio XII e já fui abordado por um guri da fiscalização da Zona Azul, me interrogando se ia demorar. Caramba, mal desligo o carro já vem alguém pedindo satisfação se demoro ou não. Isto não interessa a ele, anote a placa e o horário quando eu voltar para o carro me aborde e diga se tenho de pagar ou não. Já basta que onde não tem Zona Azul, tem flanelinhas.
Pra piorar, agora não existe mais 15 minutos grátis. Parou tem de pagar. Houve distribuição de um panfleto explicando que os recursos da Zona Azul empregam 230 adolescente e mantêm cursos profissionalizantes para mais de 700 jovens carentes.
E eu com isso, já tenho que profissionalizar meus filhos e ainda sou obrigado a ajudar com mais essa tarifa a profissionalizar filhos de outros. Isso é obrigação do governo, que já arrecada impostos demais para isso. Devemos dar um basta a tantas cobranças. a prefeitura que direcione o IPVA para a Epesmel (Escola Profissional e Social do Menor de Londrina) já que não usam para as estradas.
Basta de fazer ação social com o chapéu alheio, nós já fazemos bastante pagando altos impostos em tudo que consumimos e usamos para sermos mais roubados ainda.
E esses agentes de trânsito, que são pagos com arrecadação de multas devem ficar ávidos por multarem para garantir seus salários (eu ficaria). Se alguém coça a orelha dentro do carro, já autuam com se estivesse falando ao celular. Tenho pavor de descansar a mão na cabeça enquanto espero o sinal abrir, pois um agente de trânsito de longe já pode canetear, achando que é celular.
Basta. Basta. Basta.
FLÁVIO FERNANDES VIEIRA, engenheiro civil, Londrina
Greve na UEL
Sobre o artigo publicado neste jornal, no dia 27 de novembro, intitulado ''A quem interessa a greve na UEL?'', faço algumas ressalvas. Aos governos do Paraná e do Brasil não interessa greve nenhuma, tanto é que essas instâncias vêm entrando com liminares, recursos, medidas provisórias, suspensão do pagamento dos salários e outras estratégias que procuram enfraquecer a luta dos trabalhadores e encerrar a greve. Apenas podemos dizer que o governo procura tirar algum proveito da situação de greve, achincalhando os servidores, ameaçando-os com a privatização e colocando em descrédito a universidade pública.
A suspensão de um concurso vestibular não irá, certamente, diminuir o número de alunos que recorrem à escola pública por três motivos: a demanda por uma vaga nas universidades públicas é dez a 15 vezes maior que a oferta de vagas e muitos candidatos teriam que desistir para esvaziar as universidades; 90% da população brasileira não tem a menor condição de custear um curso universitário em escola privada para o filho, pois as mensalidades variam de R$ 400,00 a R$ 1 mil; existem milhares de candidatos classificados no último concurso vestibular e que poderiam ser chamados.
A evasão de cérebros, de professores titulados, que migram para o ensino privado ocorre devido aos baixos salários e à falta de verbas para manutenção de laboratórios, para desenvolvimento de pesquisas e para renovação de materiais de ensino. Não é a greve que esvazia a universidade pública. Os sindicatos não arrogam para si o direito de negociar com exclusividade, junto ao governo, as reivindicações dos grevistas. Essa afirmativa demonstra completo desconhecimento sobre o andamento das ''negociações'', pois as discussões vêm sendo feitas por uma comissão formada por um docente, um funcionário técnico-administrativo, um aluno e um representante do comando local ou sindicato, de cada uma das instituições em greve.
O movimento de greve é político, mas não partidário, visto que tanto entre os grevistas em geral, como entre os membros dos sindicatos, das associações de docentes e de funcionários, bem como entre os elementos que compõem os comandos locais e o comando estadual de greve, existem representantes de diferentes correntes partidárias que vêm, no entanto, trabalhando em unidade, por uma mesma causa.
- MARIA EUGENIA M. COSTA FERREIRA, professora, Maringá
Clone
O primeiro embrião clonado. A notícia que correu na imprensa no domingo, 25 de novembro, despertou a atenção mundial para uma revolução na medicina e nos tratamentos de doenças até agora consideradas incuráveis. Os fins terapêuticos são a principal razão, segundo os cientistas, de uma experiência tão complexa e questionável.
A cada dia o ser humano busca maneiras de lutar contra o seu maior medo, a morte. Por outro lado, ele mesmo se mata, em guerras como a do Afeganistão, o descaso com o meio ambiente e o desinteresse com a fome e a miséria.
Essa ambiguidade caracteriza a situação do mundo atual. Enquanto milhões de crianças morrem de desnutrição em países como o Paquistão, a Índia e o Brasil, multimilionários consomem fortunas para tornar suas vidas mais longas. Não que a pobreza seja desses milionários, mas oferecer condições para promover um melhor nível de vida é uma obrigação indiscutível.
A discussão não coloca apenas a clonagem em pauta. A clonagem só será uma grande conquista da humanidade a partir do momento em que os laboratórios e instituições de pesquisa não tenham em primeiro plano o lucro financeiro. A clonagem só será uma vitória quando toda pessoa, independente de condição social, cor ou etnia puder desfrutar de seus benefícios.
E que o respeito pelo ser humano esteja acima de qualquer desejo.
- FÁBIO VINÍCIUS GORNI BORSATO, estudante, Cambé
FGTS
Muito oportuno e elucidativo o artigo publicado no Caderno Economia, no dia 3 deste mês, assinado pela advogada Renata Cassiano (''Acordo do FGTS''), sobre o já rotulado ''maior acordo do mundo''. É preciso uma reflexão dos trabalhadores antes de tomar qualquer atitude precipitada.
ALVARO ISAQUE GUERRA, administrador de empresas, Porecatu
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