Pena de morte
A pena de morte já existe em nosso País? Parece-me que sim. Mascarada, camuflada, mas existe. Os noticiários mostram acontecimentos grotescos e até animalescos, como assaltos, homicídios, latrocínios e pela maneira como são executados, concluo que a pena de morte está aí. Mas só para nós que estamos do lado de cá, pessoas que todos os dias saem de casa para o trabalho, para a escola e que ao pôr os pés na rua, nos tornamos alvos e vítimas em potencial da ação, nem sempre combatida, dos que estão à margem da lei. Por quase nada, perde-se a vida, desestruturando e fragmentando as famílias.
Somos industriais, médicos, industriários, biomédicos, cozinheros, engenheiros, farmacêuticos, auxiliares de escritório, dentistas, mecânicos, bancários etc. Enfim, somos os trabalhadores do Brasil. Pela frequência com que tomamos conhecimento de tais acontecimentos, perigosamente estamos incorporando isso ao nosso cotidiano e nos tornando insensíveis. Hoje, infelizmente para saírmos de casa precisamos estar sempre acompanhados de uma boa dose de sorte e principalmente de Deus, para termos a quase certeza de que retornaremos.
- WALTER ABOU MURAD, biomédico, Londrina
Honestidade
O primeiro mandato do presidente Fernando Henrique ficou marcado pelo seu empenho em aprovar a reeleição, deixando o País à deriva. Marcantes também foram as negociações para que seu intento se tornasse realidade, chegando ao absurdo caso de compra de votos de parlamentares, quando o mais grave, além das próprias negociações, foi o fato de não conseguirem aprovar uma CPI que investigasse esta obscura passagem. No Paraná, o secretário Alceni Guerra (o mesmo que foi ministro no governo Collor), diz que todas as arestas foram aparadas e que os parlamentares, em troca de emendas, tornaram-se pontualmente fiéis ao governador Jaime Lerner, e que aprovarão o que o Executivo propuser. Em outras palavras, eles se farão de cegos e surdos ao clamor da população, que exige transparência. O que existe de tão tenebroso nos contratos com as concessionárias do pedágio, na compra da Sercomtel pela Copel, nos Jogos da Natureza, e tantos outros?
Se não foram ilícitos, por que recusar as CPIs? Aliás, nem é preciso CPI, é só apresentar os contratos, mas o governo prefere se submeter aos legisladores do que a quem ele deve realmente satisfação, ou seja, o povo. Pois é, eleitores como eu, que transferimos nosso poder de decisão, democraticamente via voto, para pessoas que deveriam gerir os bens da comunidade visando o bem comum, mas não o fazem, deveríamos exigir que parlamentares, irresponsáveis e incompetentes, abrissem mão de seu cargo para pessoas sérias que correspondam à confiança da população. Que o governador permita o acesso aos documentos relacionados a fatos importantes do nosso dia-a-dia, via Internet, por exemplo, confirmando para todos como ele sempre foi honesto.
- JOSÉ RAMATIS VARGAS HILÁRIO, eletricista industrial, Londrina
Amizade
Mas afinal o que é ser amigo? O que se pode ou não fazer em nome de uma amizade? Para mim, amizade é coisa séria. Há que se respeitar o amigo, de sobremaneira nas relações comerciais que você possa estabelecer com um amigo. Não posso conceber que haja desconsideração de qualquer tipo num relacionamento de amizade. Se isso ocorrer não há amizade. O amigo é aquele que não cobra posições, não esconde a verdade, não falta com seus compromissos. Se na relação comercial a amizade correr risco, que se abstenha a relação comercial.
De nada vale a vida se você, durante toda ela, não fez amizades. A luta pela sobrevivência não nos permite abusar e desconsiderar nossos amigos. Pisar neles, mutilá-los com procedimentos descorteses, agir com deslealdade, afrontá-los com falsidades, não se coaduna com o que o amigo merece, pois se não merece, não é amigo. A via de acesso tem que ser dupla, pois as cessões têm que ser mútuas. Procedimentos isolados ou comportamentos egocêntricos afugentam a relação. Não se pode conceber atitudes da Lei do Gerson, pela qual só se quer levar vantagem, sempre.
O desrespeito, a leviandade, a falsidade, também são próprios dos seres humanos. Porém praticá-los contra pessoas a quem você dedica amizade ou delas espera essa dedicação, é fazer da amizade instrumento de discórdia, é simplesmente desfazer. Não sente falta de amigos o déspota, a quem a supremacia do poder e a maldade são característicos do ‘‘manda quem pode, obedece quem tem juízo’’. Mesmo eles, no final de suas glórias, sentirão falta de amigos, de pessoas que possam confortá-los com serenidade, sem serem cúmplice das suas atrocidades, sem terem tirado proveito do seu poder.
Prepare sua vida, haja sempre como se ela terminasse hoje. Amizade se preserva com atitudes de amizade. Rusgas, ódios, descompassos emocionais só levarão ao só, e o só é a morte, capaz de deixá-lo completamente isolado em sua tenebrosidade.
- MÁRIO MARTINELLI, advogado, Curitiba
O leitor que lê
Existe uma grande diferença entre ver e ler jornal. Aquele que vê não pára para analisar e tira conclusões precipitadas, quase sempre equivocadas. Aquele que lê interpreta de maneira mais lógica, realística e equilibrada. Busca conhecer a razão da notícia a partir de uma reflexão profunda e completa sobre determinada versão. Afirmou Bacon que a leitura torna o homem completo, a conversação torna-o ágil e o escrever dá-lhe precisão. Se lhe falta um maior conhecimento sobre a matéria, além da pesquisa, vai em busca de mais informações. Portanto, é de leitores que lêem e saibam interpretar que a imprensa escrita necessita conhecer o que pensam. Esses sim, são os verdadeiros formadores de opiniões. Já dizia Drumond, quem não quer raciocinar é um fanático; quem não sabe raciocinar é um tolo. E quem não ousa raciocinar é um escravo.
Somente leitores que assim procedem são capazes de escrever sobre um assunto de forma resoluta e corajosa. Dão a ‘‘cara para bater’’, sem medo de ser contestado. Pensar é fácil, falar sem um compromisso direto com o assunto enfocado é bastante cômodo, mas escrever, emitindo seu ponto de vista, expondo-se, isso é difícil, essa sim é uma atitude que merece respeito.
Segundo Voltaire, alguns estão destinados a raciocinar erroneamente; outros a não raciocinar; e outros, a perseguir os que raciocinam. O jornal que reverencia o seu leitor, jamais se furtará em publicar algo por ele escrito, logicamente sob a ótica do ponderável. Se a opinião manifestada pelo leitor não for de interesse do jornal, deve esse órgão, pelo menos, dar uma satisfação à quem sempre deu-lhe importância. Ignorá-lo não é uma atitude jornalística inteligente. O que sabemos é uma gota, o que ignoramos é um oceano.
- CLAUDINÊ DE OLIVEIRA, funcionário público estadual, Apucarana
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail da Folha de Londrina/Folha do Paraná: [email protected]

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