O que foi dito
O que foi dito
Suinocultores
A respeito da reportagem Suinocultores acusam BNDES de favorecer empresa dos EUA, publicada dia 5: a opinião do presidente da Associação Catarinense de Suinocultores, Paulo Tramontini, é correta e gostaria de citar alguns números, que apresentei na última reunião latino-americana de produção animal, realizada no Uruguai no final de março. O número de propriedades suinícolas em Santa Catarina diminuiu 27% e os produtores diminuíram 55% em 1996 em relação a 1985. No mesmo período, a produção aumentou 135% e o rebanho aumentou 42%. O que significa isso, saída de pequenos produtores da atividade e aumento do tamanho das propriedades suinícolas. Sabemos das pressões para melhoria da produtividade, mas sem apoio os pequenos sumirão mais ainda. Então é necessário muita parcimônia com um megaprojeto desses. Em resumo, precisamos de política agrícola globalizada e o nosso governo tem recursos para isso, ou não teria para Proer e outros subsídios conhecidos.
- CLAUDIO BELLAVER, Concórdia (SC)
Londrina abandonada
Londrina, a 3ª cidade do Sul do Brasil, está abandonada à própria sorte. Assaltos em plena luz do dia, corrupção em todos os níveis de nossa administração, o mato toma conta de nossas praças e jardins. E nós, pobres londrinenses assistimos a tudo na esperança que apareça algum salvador para nos livrar deste pesadelo. Povo londrinense, é hora de dar um basta a tudo isto, e a nossa parte devemos fazer nas próximas eleições. Vamos mandar para o inferno, que é o lugar de ladrões, políticos como estes que nos governam agora. Não vamos deixar criar políticos como o 2º deputado mais votado do Paraná, pois pela sua idade, ele tem ainda mais uns 50 anos de vida pública. Outubro se aproxima. Vamos acabar com a dinastia que nos governa. Londrina merece um governo melhor. Nossa cidade é grande demais para ser roubada por meia dúzia de aproveitadores.
- MARCIO SPAINI, comerciante, Londrina
Índios
Há muito não sei de notícia tão pé no chão, tão interessante e digna quanto esta iniciativa da Folha2 de mostrar as tradições indígenas para um Brasil ignorante, enfocado no que se passa nos Estados Unidos e na Europa, quando nem sequer sabem o mínimo sobre sua história (Cantos indígenas no rádio, reportagem publicada ontem). Penso que é esse tipo de iniciativa o que pode educar e humanizar nosso povo. Parabéns!
- MARISE COSTA, Nova York
Mínimo (1)
O ex-ministro Delfim Netto, que não perde oportunidade para fazer suas críticas contundentes à política econômica adotada por FHC, resolveu assumir a função de jornalista e explicar de forma clara e imparcial o que está sucedendo em relação ao salário mínimo. A confusão a que ele se refere em seu artigo publicado ontem na Folha deveria envergonhar grande parte da mídia brasileira que, por ignorância, ou por má fé de jornalistas que esqueceram de seu papel, não consegue informar o público corretamente o que está acontecendo. Recomendo que se compare o texto desse artigo do deputado Delfim Netto sobre salário mínimo com os escritos por alguns de nossos mais conceituados jornalistas sobre o mesmo assunto. Ao fazê-lo fiquei estarrecido como se pratica o jornalismo em nosso País.
- EDUARDO JOSÉ DAROS, São Paulo
Mínimo (2)
Não somente acho injusto o salário de R$ 151, como também uma indecência o presidente Fernando Henrique Cardoso ter coragem de apresentá-lo à sociedade. Espero que em seguida o governo dê a todos os que sobrevivem dessa miséria uma ajuda de custo moradia de R$ 3.000, como tem feito para seus aduladores. Aí sim, será realmente um aumento de verdade e o tucano sociólogo poderá entrar para os compêndios de história. Por enquanto, ele apenas assegurou seu nome na lembrança das pessoas no dia de malhação de Judas e socializou a fome.
- MARCOS HIDEMI DE LIMA, Londrina
Contraste
Sobre a reportagem Crianças alemãs são supernutridas na Folha do dia 7, cabe ressaltar que o fator cultural é predominante no abastecimento alimentar das famílias de origem germânica, pois devido a escassez de recursos naturais dentro da própria Alemanha, seu povo massacrado por diversas guerras foi obrigado a desenvolver métodos de produção e aproveitamento máximo dos alimentos obtidos, levando desta maneira a redução considerável de perdas e danos alimentares.
Diferentemente da Colônia Alvorada como podemos constatar muitas famílias de outras partes do município e bairros da cidade de Cascavel apresentam quadro grave de desnutrição. Este fato não se deve exclusivamente à baixa renda dos demais mas pode evidenciar a pouca formação desta faixa da população para o aproveitamento e produção do solo. O desperdício é considerado falta grave nas colônias alemãs, inclusive de tempo. Em Pomerode, pequena cidade catarinense, há padrão de países de primeiro mundo. Não há analfabeto, subnutrido e uma das menores taxas de mortalidade infantil do País. Sua população de origem alemã é constituída em sua maioria por simples operários e agricultores. Tira-se conclusão que não é, ou deixa de ser, somente o poder aquisitivo o fator determinante para alimentar a população, está faltando principalmente informação e vontade. Naturalmente não é o caso da colônia Alvorada.
- GLAUCO ANTONIO VIEIRA BORBA, Londrina
Trabalho
Até duas décadas passadas o homem vivia mais dignamente pelo seu trabalho. O campo de trabalho e mão-de-obra eram fartos. Hoje, a máquina e o computador tiraram esta automática distribuição de renda, e até uma comprovada educação eficaz para os adolescentes pela escola da vida, pois o trabalho garantido assegurava o conforto. O homem tem que ser beneficiado e ter o seu espaço garantido a vida e usufruir deste conforto que a máquina lhe traz. Preocupante que nossos representantes ao invés de antecipar e garantir uma justa aposentadoria na idade média do ser humano, um salário básico padrão de sobrevivência digna, não, aumentaram o tempo de serviço para os trabalhadores para uma impossível aposentadoria em vida.
Lamentavelmente neste País, uma minoria trabalha muito e não tem como parar, e vai morrer trabalhando sem direito a nada. Concordo plenamente com o economista Márcio Pochmann (Folha Economia dia 1/4) onde ele diz que o Brasil teria que investir também na economia do lazer e uma melhor distribuição de renda, para que o tempo livre do trabalhador não o levasse ao duplo emprego, ainda que a máquina pague por aquele que lhe deu o serviço.
- OSMAEL CHIAVELLI PUGA, Apucarana
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