O que fizeram com o controle biológico?
''O Paraná é um dos Estados que mais utilizam agrotóxicos'' - cabeça de página deste jornal no meio da semana. E, ontem, a manchete: ''Brasil é o destino preferido de agrotóxicos banidos no exterior''. Ou seja, produtos vetados na União Européia, Estados Unidos e até no Paraguai têm tido aumento de consumo no Brasil. Os últimos governos permitiram que o Paraná voltasse a ser o grande recipiente de veneno, como a 30, 40 anos atrás.
Uma busca aos arquivos da FOLHA vai encontrar denúncias semelhantes nos anos 80. É uma pena, mas os órgãos de pesquisas e assistência técnica abandonaram um conhecimento consagrado há mais de 20 anos. O controle biológico das pragas da soja, do milho, do trigo e do feijão. Havia técnica até para o controle biológico do mandarová da mandioca, na região de Paranavaí.
No início dos anos 90, alguns pesquisadores identificaram o aumento da fauna biológica e com ela o reaparecimento de inimigos naturais da lagarta que ataca a soja. O aumento da fauna biológica foi creditado, àquela época, à redução do uso de veneno. Diferente do controle químico, que mata a praga mas elimina, ao mesmo tempo, outros insetos - entre eles alguns predadores naturais -, o controle biológico poupou esses insetos úteis. Foi aí que surgiu o fenômeno.
Não se sabe a razão, mas essas técnicas, devidamente comprovadas, foram preteridas. Talvez porque o alvo passou a ser outro. O alvo eram os transgênicos, que rendiam muito mais visibilidade aos técnicos (políticos) do governo que passaram a focar ''os malefícios dos transgênicos''. Os transgênicos davam mais Ibope. Entidades ligadas ao governo, ou, no mínimo, com a simpatia dele, passaram a se ocupar de demonizar ou exorcizar os transgênicos, um ''artefato abortivo'' que provocaria o nascimento de crianças com defeitos. No meio da contestação, lances radicais - e teatrais - como a destruição de experimentos de empresas multinacionais.
Enquanto isso, os governos - principalmente o estadual - largaram o campo e ninguém monitorou mais nada com relação à aplicação de veneno. Era tudo o que os vendedores de agrotóxicos - multinacionais, suas revendas e cooperativas - precisavam para retomar as velhas técnicas, entre elas o famigerado controle preventivo.





