A última quinta-feira teve dois depoimentos muito aguardados na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras. O ex-presidente da estatal José Sérgio Gabrielli, que é filiado ao PT, acabou fazendo uma defesa da Petrobras e falou aos deputados que não há uma "corrupção sistêmica" na empresa e que os casos detectados na Operação Lava Jato são "individualizados". Na opinião dele, os sistemas de controle interno da estatal e as auditorias externas periódicas que foram feitas não eram capazes de descobrir os pagamentos de propina porque são "caso de polícia".
A Lava Jato é uma operação da Justiça Federal e da Polícia Federal que investiga um esquema de desvios de recursos da Petrobras. Esses recursos, segundo o Ministério Público, eram usados para abastecer partidos políticos e funcionários da maior empresa pública brasileira. O ex-presidente defendeu que eram casos isolados. Como já era esperado, o depoimento de Gabrielli acabou em bate boca entre deputados do PT e da oposição. "Cara de pau" foi o mais singelo dos "títulos" recebidos pelo ex-presidente.
Porém, o depoimento mais decepcionante daquela quinta-feira foi o do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), que acabou se transformando em um embaraço para quem acreditava que a CPI poderia realmente ajudar a esclarecer alguma situação. Cunha é um dos parlamentares investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de participação do esquema de corrupção na Petrobras e foi citado na delação premiada do doleiro Alberto Yousseff. O presidente da Câmara teria recebido propina pelo contrato de aluguel de um navio-plataforma.
Se a intenção dos integrantes da CPI era passar a ideia de um trabalho transparente e de investigação competente, é melhor que os parlamentares revejam sua forma de atuação. Tudo bem que o papel de uma comissão parlamentar de inquérito não é aplicar penas. Mas o objetivo é investigar indícios de irregularidades no governo com base no interesse público. O que deveria ser uma sessão de questionamentos e apuração, virou um ato de desagravo ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, com direito a aplausos e palavras de solidariedade a Cunha. O que a população deve esperar de uma CPI quando vê os deputados encarregados de inquirir um depoente, terminando por aplaudi-lo com entusiasmo e reverência?

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