O que é justo e o que é real
A tarifa do ônibus urbano em Londrina sobe em breve, conforme já admitiu o poder público. Justa a reivindicação das empresas que operam o sistema na cidade, afirmaram os representantes do poder público. Os insumos subiram, argumentaram os empresários que reivindicam o aumento da tarifa. E se falou inclusive em sustos. Dos usuários do transporte coletivo, quando se depararem numa manhã qualquer destes dias com mais uma alta? Ou das operadoras, conforme declararam ontem os seus empresários?
Susto sim, dos usuários. Talvez não somente por este aumento, mas pelas sucessivas majorações que enfrentam no cotidiano. E muitas vezes em troca de um serviço questionável. O sistema não pode apenas considerar as condições dos ônibus, os horários e as lotações, para ser considerado razoável, principalmente quando se cogita a elevação da tarifa.
O caderno Folha Cidade de hoje mostra em foto e texto a situação do terminal de ônibus, no centro da cidade, em dias de chuva. Poças d'água se formam e o usuário corre o risco de ser lavado por jatos da enxurrada que se forma quando da passagem dos coletivos. A cobertura não protege da chuva. O piso escorregadio representa risco de queda. Um bom equilibrista provavelmente se daria mal no local, tentando se esgueirar das goteiras que caem do céu, do telhado e dos jatos espirrados pelas pesadas rodas dos ônibus.
Então é justo que o usuário se assuste quando o poder público afirma que a elevação da tarifa é justa. Há tantas outras coisas justas que não merecem tal consideração. Por exemplo, a de que o terminal não oferece risco.
Walter Ogama





