Primeiro foram as indústrias do Estado do Paraná que vislumbraram um cenário favorável em 2010. Em entrevistas a este jornal, em dezembro, empresários e economistas já adiantavam que a conjuntura apontava para um ano ativo, após a recessão motivada pela crise financeira mundial.
Agora as indústrias de outros Estados também apostam num ano marcado por demandas em vários setores. A partir desse prognóstico, empresários acham que devem investir, embora cautelosos. O número dos que apostam na expansão do negócio é grande: cerca de 48%, segundo sondagem da Fundação Getúlio Vargas (FGV), divulgada ontem. E 69% acham que o lucro será maior.
Na dianteira do crescimento - previsto para depois do primeiro trimestre - estão produtos do mercado interno, puxado pelo consumidor eufórico. É aí que mora o perigo do excesso de demanda agregada. Mas isto é problema de quem administra os preços, como já vimos ontem.
Enfim, o mercado interno impulsiona a expectativa das indústrias brasileiras, que projetam maiores investimentos e faturamento, de acordo com o levantamento denominado ''Sondagem de Investimentos da Indústria de Transformação'', da FGV. Mais uma vez são justamente as indústrias cujas produções são voltadas para o mercado doméstico que apresentam as melhores perspectivas. (Veja reportagem das agências Folhapress e AE no Caderno de Economia),
A pesquisa da FGV mostra ainda que as indústrias brasileiras esperam um crescimento recorde no faturamento ao longo deste ano. Ao todo, 69% das indústrias têm expectativa de ver seus ganhos crescerem em 2010, sendo que o incremento médio projetado é de 10,1%, maior patamar da série histórica iniciada em 2003.
O prognóstico paranaense estava configurado em dezembro. Será puxado pelo agronegócio, que teve um ano adverso na exportação que já previa um dólar baixo. Esta conta poderia ter sido compensada pela conquista de novos mercados que não se confirmou. Diferente de eventual euforia no âmbito nacional, patrocinada pelo ufanismo político, no Paraná a previsão tende a se confirmar porque o espaço existe desde 2009, apenas teve que pular um ano.

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