O que dá voto?
Fernando José Dias da Silva
A inflação a 4%, que é o cálculo do governo para esse ano, ou a possibilidade do trabalhador se aposentar só com 60 anos e 35 anos de contribuição? Se engana quem respondeu pela primeira opção. As duas alternativas dão votos. A estabilidade econômica com inflação baixa rende votos diretamente.
A Reforma Administrativa, da Previdência e as outras que ainda estão na intenção, como a Tributária, rendem votos indiretamente na medida em que criam um clima positivo para a administração, principalmente nos meios econômicos nacionais e internacionais. Essas medidas ‘‘fazem a cabeça’’ dos consultores, do pessoal que é procurado para dar ‘‘receitas’’ que muitas vezes se tornam dogmas para investidores.
Atualmente, uma das principais atividades políticas dos operadores do governo é demonstrar de uma maneira positiva, é claro - as diferenças entre os tigres asiáticos e o Brasil. É passar a imagem de o que aconteceu alhures não pode acontecer aqui, pois o País está fazendo a sua reforma do Estado e caminha para a modernização nos termos dos organismos econômicos internacionais.
VOTO ADQUIRIDO - Ficar batendo nessa tecla nos palanques não adianta nada. Não rende o voto direto. Mas para o empresariado e para o sistema financeiro funciona muito porque ninguém quer ter o seu investimento submetido a altos e baixos, quer tranquilidade. E é aí que funciona o voto indireto. Um voto adquirido pela sensação de que se está fazendo a coisa certa.
Nesse sentido o governo foi meio lento ao tomar providências com relação ao péssimo serviço oferecido à população do Rio de Janeiro pela Cerj e pela Light privatizadas. Falta de luz constante não dá voto para ninguém. Isso é grave. Mas mais grave ainda é a discussão sobre a maneira como foram efetivadas as privatizações.
De uma forma ou de outra a questão do voto indireto está equacionado. O eleitor bem informado, que tem um nível maior de escolaridade, já decidiu ou está prestes a decidir em quem vai votar. É um voto difícil de mudar no último momento. Os que estão contra de qualquer forma votarão contra. Os à favor também não mudam a não ser que aconteça a grande catástrofe que no fundo nem os ‘‘fracassomaníacos’’ desejam. Nesse quadro superior a balança tende visivelmente para Fernando Henrique.
Apesar do quadro favorável nesse setor sem previsão de muita chuva e trovoadas ninguém pode largar o corpo porque só o peru morre de véspera. Nos últimos tempos (coisa de uma ano para cá) as antenas do Palácio do Planalto tem acusado uma certa movimentação naquelas áreas mais nacionalistas do primeiro time. Gente que não anda gostando de concorrer com pessoal de fora. Várias medidas foram tomadas para acalmar essa turma. Inclusive foram mantidas várias reservas de mercado em setores que já deveriam estar disputando com a concorrência internacional. Mas parece que essa turma ainda não está satisfeita e anda se movimentando uns de boa-fé porque acreditam, outros para defender única e exclusivamente seus interesses.
- FERNANDO JOSÉ DIAS DA SILVA é articulista da Agência Estado

mockup