O que andava devagar, estanca
A revelação continuada de casos de corrupção na administração pública robustece cada vez mais a descrença dos cidadãos nas instituições, e se, apesar disso, os brasileiros buscam superar esses transtornos, ficam as seqüelas e a nação se atrasa. Porque os negócios da cadeia produtiva e as atividades em geral são muito dependentes de chancelas oficiais, porque em quase tudo está a presença do Governo e a sua emperradora burocracia. Para não falar dos abusivos encargos tributários, que corroem a saúde econômica das empresas e serviços e atravancam o seu crescimento. Os relatos de corrupção governamental, que se sucedem a cada dia e tornam já velho o que aconteceu ontem e assim todos vão esquecendo e as coisas ficam por isso mesmo induzem o cidadão a não ter vontade de carrear ainda mais dinheiro para as mãos do Governo. Assim, e não apenas pela corrupção mas também pela alta carga tributária, crescem a sonegação e o número das atividades informais. Esta, também revestida da má fé, aconteceria em menor grau se houvesse a certeza da boa destinação do dinheiro público. A sonegação já passou a não ser vergonha no conceito de quem a pratica, e assim cria-se uma corrente nefasta, contagiando a mentalidade nacional. Se os segmentos da produção continuam sua atividade e conseguem sobreviver e ainda manter de pé os alicerces do desenvolvimento, vai aumentando a indignação ante a obrigatoriedade de repassar dinheiro para o poder público, em forma de impostos, juros, correções e todo o vasto universo de tarifas. O que deveria ser um ato cívico espontâneo, feito com vontade e consciência, cria nos cidadãos a idéia de que estão sendo assaltados. E isto faz sentido até o ponto em que esse dinheiro não volta inteiro, por meio de obras e melhoria de serviços, porque grande parte é destinada a alimentar superfaturamentos, gastos abusisvos, desperdício, destinações não prioritárias e a corrupção em todas as suas formas. A par disso, em momento como o de agora o Governo passa a cuidar tão somente de defender-se das acusações, e nada mais faz. Na esfera pública, as atividades diminuem seu ritmo, obras não se realizam e, no Congresso, as grandes discussões ficam em compasso de espera. A máquina pública fica emperrada e as coisas estancam. No âmbito do Executivo imperam as dissidências e desconfianças, porque não há comando central e são muitos os mandantes. O círculo parlamentar, de sua vez, converte-se num balaio de gatos e ratos, divididos entre caças e caçadores, num ambiente em que a confiabilidade é igualmente baixa. Se a corrupção é uma chaga, as repercussões danosas que provoca, quando descoberta, estende o tamanho da purulência a todo o tecido político-administrativo. Já se pode colocar na conta que os quatro anos do Governo Lula estão perdidos.





