O que deseja o ministro da Agricultura e Pecuária, Roberto Rodrigues, ao declarar que ainda não são conclusivos os resultados que comprovaram a inexistência de aftosa no Paraná? Imagina-se que ele deseja prolongar a agonia dos pecuaristas e adiar o máximo possível um relatório oficial, quem sabe agourando que algum foco seja descoberto, dessa forma validando sua precipitação ao anunciar, vinte dias atrás, que gado doente teria entrado em terras paranaenses. Aquela afoita afirmação era uma quase certeza para o ministro, porque ele mencionou que era de ''noventa por cento'' a possibilidade dessa ocorrência. Passada a turbulência, e agora que se comprovou que o gado retido no Paraná não apresenta sintomas da doença, Rodrigues mantém o estado de terrrorismo, quem sabe numa sinistra esperança de que suas previsões eram corretas. Quando deveria ser ele a primeira autoridade a louvar a não-existência da aftosa no Paraná um fato auspicioso que poderia traze-lo até aqui para festejar o evento, junto aos pecuaristas e produtores de leite dá-se o contrário: o seu propósito de manter o clima de tensão. O ministro, em sua nova versão de efeito amendrontador, afirma que os técnicos da Secretaria Agropecuária do Ministério consideram não-conclusivo um diagnóstico apenas de resultados laboratoriais, e que é que necessário considerar as manifestações clínicas e a origem dos animais (caso do Paraná). Mas pecuaristas, reunidos ontem na Sociedade Rural do Paraná, contestam afirmando que isto não condiz com a realidade, e apresentam estas razões: a) ausência de sinais clínicos de febre aftosa na propriedade de origem dos animais os que vieram de Mato Grosso do Sul e foram leiloados na Eurozebu, a feira que a entidade promoveu no começo de outubro; b) ausência de sinais clínicos nas propriedades de destino dos animais: c) negatividade dos exames emitidos pelo laboratório de referência indicado pelo Ministério. Afirma a entidade, em nota à imprensa, que todo o processo (acima citado) foi acompanhado por equipes do Centro Panamericano de Febre Aftosa, ''que referendou tanto os procedimentos no campo quanto os exames laboratoriais''. Acrescenta que ''todos os animais que estavam sob suspeição passaram por rigoroso critério técnico'' e que se esgotaram todas as eventuais possibilidades de contaminação. O que os pecuaristas do Paraná e todos os segmentos agregados à pecuária aguardam é o fim deste estado de angústia, por via de um pronunciamento definitivo do ministro da Agricultura e Pecuária, porque nada há que sustente a continuidade das desconfianças quanto à sanidade dos animais que estavam sob observação, assim como de todo o rebanho paranaense.

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