Muita gente que decidiu trocar o carro por um modelo movido a álcool já deve estar se arrependendo. Nos últimos meses, a grande diferença de preço entre a gasolina e o álcool estimulou o brasileiro a acreditar de novo no slogan dos anos 80 ''Carro a álcool, você ainda vai ter um''. Outubro marcou o recorde das vendas de veículos a álcool no País. Foram 8.844 unidades, maior número desde agosto de 1994.
Mas tudo indica que, mais uma vez, a euforia não vai desencadear a reativação do programa do álcool no Brasil. Com o aumento de mais de 50% do preço do combustível em apenas dois meses, os consumidores estão com a pulga atrás da orelha. O receio é de que o setor sucraalcoleiro desloque a sua produção para o mercado do açúcar toda vez que o preço desse produto subir no mercado internacional, desabastecendo o mercado interno de álcool e inflacionando o preço na bomba.
Tem sido sempre assim. Quando a indústria automobilística e a rede varejista ensaiam resgatar a confiança dos brasileiros, ocupando os salões das concessionárias com reluzentes modelos que dispensam gasolina, alguma coisa acontece e a retomada do álcool vai por água abaixo. Os recentes reajustes do preço do álcool devem funcionar, novamente, como ducha gelada sobre os planos de reativação do segmento.
Os números da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostram que as vendas de modelos a álcool iniciavam um período de vistoso crescimento. Os números de outubro foram 50% maiores que os de setembro. Na comparação com outubro do ano passado o crescimento foi de 417%.
Por essas e outras, 2002 parecia ser o ano do carro a álcool. No acumulado dos dez primeiros meses, as vendas somam 42,3 mil unidades, o que representa mais de 3% do total de veículos comercializados no País. Em 2000, o índice ficou em tímidos 0,8%. Em 2001, apenas 1,4%. Poderia ser um recomeço...
Ruth Meira

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