O PT paranaense decidiu que terá candidato próprio ao governo do Estado. A decisão, tomada em reunião no diretório estadual, no final de setembro, pode parecer estranha aos petistas e eleitores em geral, que têm acompanhado pela imprensa o esforço do partido em articular uma frente de oposição ao governo Jaime Lerner, para a eleição do ano que vem.
Não é segredo para ninguém que a frente de oposição desejada pelo PT reuniria os partidos de esquerda (PT, PCdoB e PSTU) e os de centro-esquerda (PMDB, PV e o novo PDT).
As premissas para a formação da frente seriam a oposição à pratica de governo em curso no Paraná; a sintonia com a frente de oposição a FHC; e a discussão de um programa comum de governo, voltado, principalmente, ao combate das mazelas sociais que afetam a população paranaense, tais como o desemprego, a falta de moradia e o abandono da agricultura.
No entanto, a formação da frente começou a ficar complicada - pelo menos para o PT - com a aproximação do PMDB, do senador Roberto Requião, do PSDB, do ex-governador Álvaro Dias.
A aproximação dos peemedebistas e tucanos não é um complicador só porque Álvaro Dias é um adversário histórico do PT. Mas, sobretudo, porque a figura política do atual presidente da Telepar contraria as premissas apontadas acima - básicas, para nós, para a formação da frente.
Primeiro, as diferenças que existem entre Álvaro e Lerner não bastam para colocá-los, de modo claro e definitivo, em campos opostos. Os dois são da base de sustentação do governo federal, motivo suficiente para FHC, sempre tão preocupado com seu projeto de reeleição, buscar uma aproximação entre eles, na tentativa de repetir no Paraná a aliança PFL-PSDB. As chances dessa aliança vingar não podem ser desprezadas.
Segundo, o ex-governador é um aliado e membro do governo FHC. Nas eleições do ano que vem será difícil dissociar, já no primeiro turno, a eleição para governador do Estado da eleição para presidente. Do contrário, como oferecer uma explicação convincente ao eleitor sobre a convivência, no mesmo palanque, de pessoas que fazem uma opção contundente ao governo FHC com outras que são suas ardorosas defensoras, caso de Álvaro e grande parte do seu séquito?
Por fim, a entrada de Álvaro nas articulações da frente de oposição inverteu a lógica de se discutir, antes de qualquer coisa, um programa de governo, para depois se decidir qual o nome do candidato da oposição. Até agora, o diálogo do PMDB com Álvaro tem girado em torno de quais nomes irão ocupar esse ou aquele cargo. Em nenhum momento se ouviu qualquer discussão de conteúdo político-programático.
Portanto, a atitude de algumas lideranças do PT do Paraná de dar respaldo às articulações do PMDB, com o objetivo de incluir Álvaro Dias em nosso leque de alianças, é equivocada. Ela fragiliza o partido. Dá a impressão de que o PT é refém da estratégia eleitoral do senador Requião e está sem alternativas. Passa a imagem - com certeza, falsa - de que estamos dispostos a pagar o preço da descaracterização da nossa história e princípios partidários em troca de uma fatia de poder.
A definição do PT por uma candidatura própria, contudo, não é somente uma resposta à aproximação do PMDB ao PSDB. Vai além.
O PT quer reafirmar sua disposição para o embate democrático com as candidaturas das elites políticas e econômicas do Paraná. O partido tem propostas de governo e nomes de densidade eleitoral suficientes para uma candidatura própria. Prova disso são os resultados das duas últimas eleições, quando elegemos sete deputados estaduais e federais, seis prefeitos, onze vice-prefeitos e 114 vereadores. Além de participarmos, em cargos de primeiro escalão, de outras 47 prefeituras.
O partido quer sinalizar aos seus interlocutores que não está disposto a assumir um papel de subordinação a esse ou aquele projeto eleitoral. Continua aberto à articulação de uma frente de oposição no Paraná. Porém, a articulação da frente deve obedecer a determinadas premissas e ter como consequência uma candidatura de centro-esquerda, com um programa que se contraponha, em nível estadual, ao governo Jaime Lerner e, em nível nacional, ao governo Fernando Henrique.
Como a frente de oposição poderá ou não ser viabilizada, devemos estar preparados, trabalhando desde já, com convicção e ousadia, nossa candidatura própria à sucessão estadual.

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