O PT atinge a maioridade
O PT atinge a maioridade
Paulo Bernardo
São 18 anos. Hoje é aniversário do PT. A maioridade do partido é comemorada com o orgulho de quem conquistou, no cenário político, respeito e credibilidade, entre tantos partidos que não conseguem firmar-se, seja por falta de política clara, seja por não conseguir representar de fato uma parcela da sociedade.
Nascido no berço do Movimento Sindical, em São Bernardo do Campo, e pelas mãos dos trabalhadores, o PT teve papel fundamental na história política do país. Surgiu quando baníamos o fantasma da ditadura militar e da repressão política, conseguindo firmar-se como um dos legítimos representantes dos trabalhadores. Atuou na sociedade como aglutinador de forças para conquistar mudanças. Liderou inúmeras manifestações populares, entre elas as que pediam eleições diretas para presidente. Organizou sindicatos e associações e lutou com empenho para redemocratizar as instituições públicas e políticas.
Esta marca do PT não se limitou, entretanto, aos movimentos populares. Credenciado por sua atuação, com a mesma garra e disposição para briga, o PT mudou a cara do poder institucional. Os deputados e vereadores eleitos pelo partido, forjados nas lutas diárias, inauguraram um novo modelo de fazer política, sedimentado nas denúncias, na fiscalização e nas cobranças para melhorar as gestões públicas, garantindo os direitos dos cidadãos com a administração decente do dinheiro do povo.
Foi com esta postura que o PT conquistou inúmeros mandatos executivos. Prefeitos petistas foram eleitos e, com muita criatividade e dedicação, mostraram à sociedade brasileira que era possível administrar sem desviar recursos, garantido o progresso e o bem estar da comunidade. Estava inaugurado o modo petista de governar, que iria credenciar o partido para eleger governadores e, quase, conquistar o cargo máximo do país, a despeito de toda a articulação do poder vigente.
Temos muito o que comemorar. Entretanto, também temos que refletir sobre os desafios que o partido atualmente enfrenta e os quais ainda estão por vir. Ao lado da demonstração de sua capacidade de lutar, representar e governar, o PT esbarrou muitas vezes nas disputas internas que, embora salutares para a democracia no partido, como qualquer disputa, geraram crises, paralisaram ações, criaram celeuma e deixaram marcas. Superar estas marcas é o nosso desafio. Ao sair da adolescência é preciso sobrepor aos interesses individuais e às disputas internas do partido, que não auxiliam seu crescimento, os interesses e direitos dos cidadãos brasileiros. Para tanto, a postura de unidade, mesmo na diversidade, é fundamental para atingir responsavelmente a maioridade petista.
Nas lutas diárias, é preciso mostrar ao Brasil que não basta ter a inflação diminuída e controlada. Mas, também, que este governo, o pai do Real, não consegue superar a incapacidade de melhorar a qualidade de vida dos brasileiros, que cada vez mais piora. Moeda forte, economia controlada, é uma conquista do passado e uma obrigação do governo manter. O país precisa agora saber o que é cidadania, distribuição de renda, comida para todos. Com certeza, não há sensibilidade nos atuais administradores do Brasil. Prioriza-se o pagamento de elevados juros, a conta do Orçamento Público, o que interessa aos especuladores nacionais e, principalmente, internacionais. Ao mesmo tempo, suprimem-se direitos dos trabalhadores com a previdência em nome de equilibrar as contas públicas.
Com absoluta certeza, até pela sua origem e por ser forjado na luta árdua da resistência e da conquista, o PT terá mais sensibilidade para resolver os problemas da miséria, da fome, do analfabetismo e da exclusão social. Para isso, precisamos estar fortalecidos pela nossa unidade.
- PAULO BERNARDO é deputado federal pelo PT do Paraná





