O PSDB e a renovação da política paranaense
O PSDB e a renovação da política paranaense
Max Rosenmann
No último dia 25, o PSDB do Paraná se reuniu em Curitiba para eleger os novos diretório e executiva estadual do partido. Na ocasião, o senador Álvaro Dias foi reeleito presidente estadual do PSDB, e aclamado como o líder do projeto que pretende levar o partido ao Palácio Iguaçu, em 2002.
Com mais de 100 prefeitos, 600 vereadores, nove deputados federais e nove deputados estaduais, o PSDB demonstrou toda a garra e disposição para enfrentar o desafio de renovar a política paranaense, recolocando o Estado no caminho da responsabilidade e da Justiça social.
Ainda na convenção, o partido confirmou sua intenção de disputar a eleição para a prefeitura de Curitiba com candidato próprio. Atendendo à convocação dos companheiros, coloquei meu nome à disposição do partido. Foi definido que dentro de 90 dias, será feita uma avaliação sobre as perspectivas para a disputa. Essa avaliação prévia é indispensável, pois ninguém é candidato de si mesmo. Uma candidatura a um cargo majoritário da importância da prefeitura de Curitiba nasce do desejo de mudança e exige a formação de um grupo coeso que possa apresentar uma proposta capaz de empolgar a sociedade. Qualquer candidatura que não tiver uma forte base de apoio popular corre o risco de ser soterrada pelo poder econômico da candidatura patrocinada pelo Estado e pela prefeitura.
Ao analisarmos as condições objetivas da atualidade, fica clara a falência de um modelo de administração recorrente tanto na prefeitura de Curitiba quanto no governo do Paraná, a partir da ascensão do grupo liderado pelo governador Jaime Lerner e pelo atual prefeito, Cássio Taniguchi.
No plano estadual, o fracasso desse modelo pode ser verificado por uma simples análise das contas do Paraná. Bastaram cinco anos de administração Lerner para transformar o Estado, que até então era reconhecido como um dos mais equilibrados do País, num dos mais endividados da nação. Lerner assumiu o governo com R$ 1,4 bilhão em dívidas deixadas pelos antecessores. Hoje, decorrido menos da metade de seu segundo mandato, a dívida supera os R$ 10 bilhões.
O mais grave é que esse endividamento não foi acompanhado por um incremento nos investimentos do poder público. Nenhuma obra de vulto foi realizada nesse período. Pelo contrário, centenas de obras prometidas durante a campanha de reeleição estão paralisadas, causando a quebra de empresas e desemprego em todo o interior do Estado.
Contribuem ainda para minar a confiança da população na administração pública o estelionato eleitoral que se tornou a questão do pedágio, cujo reajuste de tarifas abusivo foi provocado diretamente pela irresponsabilidade do governo Lerner em tratar a questão. O aumento extorsivo das tarifas ameaça inviabilizar a agricultura, principal fonte de renda do Paraná, sem que as obras prometidas tenham sido feitas.
O golpe final na credibilidade da administração Lerner foi dado pela Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara Federal que investiga o narcotráfico. Em apenas três dias de trabalho, a CPI colocou por terra toda a política de segurança do governo, ao revelar fortes indícios de que o próprio comando da polícia controlava a venda de drogas nas delegacias da capital.
A falta de renovação parece dar ao grupo lernista a sensação de onipotência que na verdade revela acomodamento, e faz com que sejam ignorados os visíveis sinais de esgotamento do modelo de administração adotado. Sinais como o fato de 78% da população de Curitiba não ter completado a quarta série do primário, como aponta pesquisa da Universidade Federal do Paraná com base em dados oficiais do próprio governo. Ou de 15% dos habitantes da cidade viverem em condições de absoluta miséria. Ou o crescimento da criminalidade nos bolsões de pobreza, que transfomaram determinadas regiões de Curitiba em redutos da marginalidade, onde a população é refém dos bandidos.
Mas como em outras eleições, o marketing oficial usará de todos os meios para varrer esses problemas para debaixo do tapete.
Só que o povo pode até se deixar enganar algumas vezes, mas não para sempre. Por isso, o PSDB acredita sinceramente que há espaço para uma nova proposta, em que a população não seja mera massa de manobra de um grupo de urbanistas e tecnocratas iluminados, mas sim agente efetivo de seu destino.
A social democracia tem para oferecer aos paranaenses em geral, e aos curitibanos em particular, a saída para esse impasse. Nós do PSDB queremos construir uma nova sociedade, pautada pela moralidade no trato do dinheiro público, e numa forma participativa de administração.
Através do orçamento participativo, e da inversão de prioridades, acreditamos que podemos dar novos rumos ao Paraná e a Curitiba, recuperando a capacidade de nosso povo em acreditar no futuro. Rejeitando o paternalismo dos que se consideram donos da verdade, vamos convocar a todos os setores - comunidade universitária, trabalhadores, empresários, professores, estudantes, funcionários públicos, a elaborar um projeto que represente as reais aspirações de nosso povo.
A nosso favor temos o fato de possuirmos os melhores quadros, e um projeto de poder viável, encabeçado pelo presidente estadual do partido, senador Álvaro Dias. Somos um partido jovem, livre dos vícios dos velhos oportunistas de plantão. Além disso, não temos medo de fazer política. Somos o partido do presidente da República, e temos a experiência necessária para transformar esse vínculo num trunfo capaz de recuperar a capacidade do Paraná em atrair investimentos do governo federal.
Somente um projeto com fortes raízes populares e sociais poderá resgatar Curitiba e o Paraná do imobilismo político a que fomos jogados por anos de perfumaria e omissão. Nós, tucanos paranaenses, vamos buscar esse apoio. Estamos prontos para esse desafio. E preparados para cumprir nosso destino ao lado do povo paranaense que anseia pela mudança. E para resgatar os sonhos dos que aqui vivem e desejam construir uma sociedade mais justa, fraterna e democrática.
MAX ROSENMANN deputado federal pelo PSDB





